Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 03/10/2020
O livro “Utopia”, de Thomas More, narra a história de uma sociedade perfeita e padronizada, graças a ausência de conflitos e dilemas interpessoais. Contudo, o que fora exposto pelo famoso auto manteve-se no plano literário, visto a elevação exponencial no número de casos de violência doméstica, principalmente durante a quarentena. Nesse âmbito, não só o machismo presente na sociedade mas também como a falta da efetivação das leis que protegem as mulheres são dois agentes impulsionadores do impasse. Assim, urgem medidas necessárias para combater o imbróglio.
Em primeira análise, o machismo patriarcal apresenta-se como um explícito problema. Tal estorvo advém da carga histórica do pensamento de inferioridade do homem com a mulher, explicado pela filósofa, Simone de Beauvoir, em seu livro “O segundo sexo”; ao destrinchar sobre o entrave, a filósofa afirma que a construção social sempre pôs a figura feminina em segundo plano, assim, muitas mulheres permanecem com a mentalidade de que homens estão em primeiro plano e acabam se submetendo e aceitando os descasos reproduzidos por eles. Isto é muito comum em relações abusivas, que muitas vezes chegam ao ato da violência física, o que fere a integridade da mulher, tudo se torna mais fácil ainda visto o período de quarentena, onde o casal provavelmente irá passar muito tempo juntos, aumentando as possibilidades de violência.
Ademais, conforme o filósofo Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar, dotada de generalidade, exterioridade e coercividade. Nesse contexto a falta de efetividade das leis é o reflexo de uma conduta inescrupulosa do Estado para com o fato social, haja vista que o Poder público não coíbe as práticas de agressão física ou pressão psicológica no âmbito doméstico, dessa forma, não há de fato a prisão ou punição desses abusadores, que ao perceberem que seus atos não possuem consequências, continuarão repetindo o comportamento, corroborando para que o índice da problemática aumente cada vez mais.
Portanto, caminhos devem ser elucidados para esse impasse, levando-se em consideração as questões abordadas. Embora hajam leis que punem os praticantes de violência doméstica, cabe ao Governo Federal, instância máxima da administração executiva, que as torne mais efetivas e eficazes. Isto pode ser feito através de uma associação entre entidades Governamentais de cada um dos estados para que aconteça a inserção de campanhas televisivas que influenciem diretamente a sociedade a denunciar estes casos e, principalmente, a restauração do atendimento realizado à vítima da violência, assim, a longo prazo, ocorreria a diminuição das taxas de violência. Assim, muitos indivíduos poderão se sentir protegidos, pois perderão o medo de serem violentadas.