Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 03/10/2020

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e diversas autoridades de saúde nacionais e internacionais têm apontado a casa como um dos ambientes mais seguros em tempos de pandemia do Covid-19 e a foma mais eficaz para conter o avanço do vírus. Entretanto, para muitas mulheres, vítimas de violência doméstica, ficar em casa certamente não é sinônimo de estar protegida.  No início do mês, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MDH), anunciou um aumento de 9% no número de chamadas ao Ligue 180, que recebe denúncias de violência contra a mulher, no mês de março. Em São Paulo, o número de casos de violência contra a mulher aumentou 30% durante a quarentena, de acordo com o Núcleo de Gênero e o Centro de Apoio Operacional Criminal do Ministério Público de São Paulo. A situação do Rio de Janeiro é ainda mais alarmante, com um aumento de 50% nos casos de violência no mês passado, segundo a Justiça do Rio. Na sociedade patriarcal, o homem assume lugar de provedor da família e o faz, consequentemente, responsável pelas decisões. Enquanto isso, a mulher precisa cuidar da casa e ser submissa ao marido. No entanto, mulheres da sociedade moderna, dificilmente, cumprem tal papel. Segundo dados da pesquisa Pnad Contínua (2019), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 45% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres. Essa saída da mulher para a esfera pública causa “desequilíbrio” nas relações. Nesse período de isolamento social, as mulheres que buscarem a Defensoria para solicitação de Medida Protetiva à Justiça não precisarão apresentar boletim de ocorrência. Bastará uma auto declaração de estar em situação de violência doméstica e familiar. A Ronda Maria da Penha mantém a fiscalização do cumprimento das medidas de urgência indicadas pela Justiça, visitando os endereços fornecidos. Quando possível, a mulher em situação de violência doméstica e familiar deve buscar apoio também com vizinhos, amigos e familiares, pessoas de confiança que possam ser acionadas quando necessário. Ao saber de mulheres em isolamento social com agressores, os amigos e pessoas próximas também podem ajudar. O movimento Articulação de Mulheres Brasileiras (ABM) tem algumas sugestões: entre em contato, mande mensagem, escute, acolha e apoie. Essa atitude pode salvar uma vida.