Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 13/10/2020
A Outra Epidemia
Com o advento da Lei nº 11.340, Maria da Penha, uma explosão de comoção tomou parte da sociedade, produzindo assim, consequências sentidos até hoje e provavelmente, por muitos anos a seguir, auxiliando no combate à violência à mulher. Diferentemente do passado, atualmente, uma vítima possui maior facilidade para denunciar, entretanto, o medo ainda continua sendo um vilão dessa ação, visto que entre 2018 e 2020, 252.373 mulheres foram vítimas nas áreas domésticas e familiar, porém, muitas ainda não incriminam a impetuosidade. Por isso, outrossim com o isolamento, os desdobramentos não são suficientes para a erradicação do problema, pois ele apenas aumenta com o distanciamento social.
A partir desta análise, é perceptível o risco de muitas indivíduas, pois, além da pandemia, vários fatores podem acarretar na violência, a notícia da morte de um ente, o desemprego, o prejuízo financeiro, entre outros, estando relacionados aos distúrbios psicológicos do presente momento, são sujeitos a terminar na impetuosidade. Dessa forma, se torna notório o aumento do número de vítimas do quadro caótico que a população vive.
Não obstante, apesar do expoente crescimento de violências, os números não mostram totalmente a realidade, pois a mesma está bem mais alarmante. Esse fato ocorre, em consonância com o temor alastrado pelas violentadas, que acreditam na possibilidade de vingança após a denúncia, como mostrado mais acima.
Dessarte, a violência doméstica tornou-se uma outra epidemia do país, em que sua “vacina” ainda está longe de ser alcançada, visto a problemática atmosfera que envolve a situação. Ademais, o número de feminicídios no país aumentou, em comparação ao ano passado, entre os meses de março e maio, 2,2%, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Portanto, infere-se a necessidade do Ministério da Cidadania e da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, em realizar novas campanhas de conscientização nas mídias sociais e televisivas, com o intuito de encorajar as vítimas a denunciar. Assim, para um maior efeito, deve-se mostrar testemunhas que conseguiram se libertar, a fim de aguilhoar a delação, de forma que o medo não se torne mais um obstáculo na defesa da violentada.