Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 14/10/2020
Isolamento como forma preventiva ou de tortura?
De acordo com a atual conjuntura, estabelecida em virtude da pandemia do Covid-19, foi requisitado a prática do isolamento social, visando o controle do contágio e a garantia de estabilidade com relação à saúde da população. Contudo, a medida preventiva aplicada acarretou um aumento na ocorrência de casos de violência doméstica, e podemos relacionar tal fato à propagação do machismo na sociedade ao decorrer dos anos.
Muitos ainda associam a figura feminina a uma figura submissa ao gênero masculino, fazendo com que se coloquem no direito de fazer o uso de violência sem ao menos pensar duas vezes. Em virtude desse e de outros fatores, o período de quarentena evidenciou ainda mais a incidência desses ocorridos. Segundo dados, mesmo antes da pandemia atual, a situação já era grave, com 1.23 milhão de casos de violência relatados entre 2010 e 2017 (e muitos outros não notificados).
Apesar de tudo, uma considerável parte da população mostra-se apática para com esse cenário, e através disso, podemos perceber a carência de estímulo sob a população com relação ao combate à violência doméstica. Nesse sentido, assim como foi dito por Andrew Schneider, “a violência é uma questão de poder, e as pessoas se tornam violentas quando se sentem impotentes”, lutar para que sejam implementadas medidas de prevenção e erradicação de tais atos são concepções viáveis e totalmente coerentes.
Infere-se, portanto, a necessidade de providência da segurança das mulheres no período de isolamento social e demais momentos, e sendo assim, o Ministério da Educação, juntamente com o governo, deve promover a valorização da figura feminina como forma de combate ao machismo e a violência doméstica como um todo, e tal ação deve ocorrer por meio do poder e influência conferida às instituições de ensino, através de debates, eventos, seminários e oficinas, além da criação de novas plataformas de denúncias e divulgação das já existentes. Tudo isso para que seja possível a formação de uma sociedade consciente de seu papel e a minimização, visando a erradicação, de índices como os de casos relatados entre os anos de 2010 e 2017.