Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 15/10/2020
A pandemia do Coronavírus levou os governos em todo o mundo a decretarem medidas de isolamento social. Durante a quarentena houve um aumento nas denúncias de violência doméstica em vários países. No Brasil, segundo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), houve um aumento de mais e 50% no número de denúncias de violência doméstica desde que a quarentena começou em março de 2020.
A convivência intensa forçada, a tensão causada pelo próprio isolamento social, as cobranças do trabalho à distância, os cuidados com os filhos com os afazeres escolares à distância, a falta de contato com parentes e amigos, contribuíram para que o número de casos de violência doméstica aumentassem a níveis preocupantes, pois as agressões inicialmente psicológicas evoluíram facilmente para físicas, chegando em alguns casos ao feminicídio.
Fazendo parte de uma sociedade machista e patriarcal, muitas mulheres não denunciam o agressor, por medo ou por desconhecerem que existe uma rede de serviços para acolhê-las. Familiares e amigos também necessitam estar atentos aos sinais indiretos de violência doméstica.
Existem cartilhas explicativas sobre violência doméstica, como o da Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj), com informações e formas de procurar ajuda. Outro exemplo de medidas nesse sentido são vídeos ilustrativos como o da Campanha Call do Instituto Maria da Penha, alertando sobre o assunto e mostrando como pedir ajuda.
A informação sobre violência doméstica, o que é e como se manifesta, ajuda as mulheres a perceberem quando estão dentro de um relacionamento abusivo, assim como, saberem como proceder, a quem procurar e informar, quando se sentirem ameaçadas física e psicologicamente.
As mulheres devem ser informadas que existe um protocolo para identificarem se estão em uma relação violenta. Devem informar familiares e amigos sobre a situação, deixar anotado o número de serviços de apoio à mulher, junto com itens essenciais, como chave, documentos e dinheiro, juntos em local específico. Planejar sua saída para lugar seguro. Se ferida, buscar hospital e relatar o que aconteceu.
O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos mantém a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, acessível 24 horas no número 180. Trata-se de um serviço de utilidade pública que funciona como um disque-denúncia, servindo de porta principal de acesso aos serviços da Rede nacional de enfrentamento à violência contra a mulher, com amparo da Lei Maria da Penha e fornecendo base de dados privilegiada para elaboração de políticas públicas nessa área.
conta com o apoio financeiro do Programa ‘Mulher, Viver sem Violência’.