Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 21/11/2020

Atualmente, o Brasil e o mundo enfrentam a pandemia do COVID-19, na qual uma das maneiras mais efetivas de reduzir os casos de contaminação é o isolamento social. Por conseguinte, o confinamento impactou a vivência coletiva e resultou, dentre outras consequências, no aumento da violência contra a mulher no ambiente doméstico. Sob esse viés, urge avaliar como a estrutura familiar e social colabora com o acontecimento de agressões à classe feminina e seus efeitos na coletividade.

Em primeiro lugar, convém destacar a cultura de valorização do sexo masculino nas sociedades ocidentais. Contudo, em controvérsia ao pensamento de Simone de Beauvoir, filósofa e ativista feminina, de que ninguém nasce mulher, mas torna-se uma, ainda no século XXI se prega a ideia de que o sexo feminino tem a função social de submeter seus comportamentos aos homens, sobretudo aqueles com quem tem vínculo amoroso e familiar. Consequentemente, tendo em vista a sólida construção social advinda do patriarcalismo é comum que os comportamentos violentos contra as mulheres sejam neutralizados e as punições concretizem uma grande fonte de medo e burocracia para aquelas que são vítimas de crueldade.

Cabe também mencionar, em segundo lugar, que de acordo com uma pesquisa realizada pela empresa “Decode Plus”, as ocorrências de agressão a mulher relatadas do início do isolamento até o mês de abril já apresentavam uma grande discrepância dos anos anteriores. Logo, os estudos apontaram que, além da contribuição dos fatores socioeconômicos, a dependência financeira das mulheres, oriunda da onda de desemprego gerada pela deficiência da economia no cenário atual, é o ponto primordial para a compreensão da catástrofe. Aliado a isso, o recrutamento a domicílio incentivou a maior participação nas atividades de manutenção do lar familiar, ocasionando estresse e cansaço físico e psicológico, que pode ter refletido de forma direta nas ações dos indivíduos.

Infere-se, portanto, que a violência contra a mulher no período de isolamento social exige redução. Posto isso, é dever da mídia, usufruindo do seu poder de alcance, difundir campanhas governamentais executadas para a denúncia de agressão à classe feminina, tais como o disque denúncia 180 e os canais virtuais abertos durante o período de isolamento. Ademais, é interessante que as instituições escolares promovam debates e palestra que enfatizem a igualdade de gênero com o fito de amenizar os reflexos negativos do patriarcalismo. Com efeito, espera-se garantir o bem-estar das mulheres e vivenciar uma sociedade mais igualitária.