Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 24/11/2020
A pandemia do novo coronavírus trouxe o isolamento social como uma recomendação essencial para evitar a disseminação da COVID-19. Quando foi decretada a quarentena, diversas preocupações existiram dentre os cidadãos: o desemprego, o distanciamento dos familiares, a interrupção dos estudos, são exemplos. Porém, uma realidade, algumas vezes despercebida, veio à tona: muitas mulheres foram obrigadas a ficar confinadas em casa com seus agressores, e assim, aumentaram-se os casos de violência doméstica.
A violência doméstica é fruto do machismo escancarado na sociedade, e mata muitas mulheres no mundo todo. Pode acontecer através de agressões físicas, morais ou sexuais. Há quem questione, preconceituosamente, o porquê de uma mulher continuar junto de um homem que a agride. Porém, não é muito fácil sair de um relacionamento como esses: o malfeitor faz ameaças, chantagens, ou torturas psicológicas, fazendo a vítima acreditar que não pode se separar ou que é dependente dele por algum motivo. Tais atitudes reprimem cada vez mais a voz da mulher, que sente medo de denunciar o agressor, gerando assim inúmeros casos de subnotificação.
Durante a quarentena, a vítima teve que ficar reclusa em sua residência, convivendo vinte e quatro dolorosas horas por dia com aquele que a maltrata, e sem uma “válvula de escape”, como por exemplo o trabalho ou seus amigos, para poder encontrar forças e fazer uma denúncia. Em muitos casos, a violência não é aparente, e a principal forma de ajudar uma mulher que sofre com violência doméstica é reconhecendo sinais, como falas, olhares, semblantes sofridos ou assustados, excesso de maquiagem que pode estar escondendo hematomas, etc. São cuidados que parecem insignificantes, mas podem salvar vidas.
Por tanto, a violência doméstica está mais presente na sociedade do que parece e ela não pode ser combatida somente pelas vítimas. Todos aqueles que presenciarem ou souberem de um ato de covardia como este, devem denunciá-lo, e não julgar a pessoa que está sofrendo. Ações do governo e da mídia precisam divulgar, não só durante a quarentena, mas sempre, instruções para saber reconhecer uma pessoa que precisa de ajuda, e como fazer para denunciar. Dessa forma ninguém se sentirá sozinho.