Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 24/11/2020
Vítimas do silêncio
Os casos de agressão doméstica aumentaram durante a quarentena, principalmente com vítimas mulheres. A pandemia fez com que muitas famílias se unissem mais, porém, também foi a causa de maior tensão familiar, dando abertura à brigas e discussões que muitas vezes, levam à agressão.
Em 2015, o governo brasileiro divulgou um estudo que mostrou que a cada sete minutos uma mulher é vítima de violência doméstica no Brasil e que mais de 70% da população feminina brasileira vai sofrer algum tipo de violência ao longo de sua vida. Mulheres sofrem 10 vezes mais agressões, assédio e estupros que a população masculina, essa cultura patriarcal afeta absurdamente a sociedade, pois apesar da luta pelos direitos femininos, já está implantado nas pessoas que é “normal” uma mulher ser agredida, assediada ou estuprada, afinal, é só mais um número.
Muitas vezes, a agressão doméstica não é denunciada pelo medo que a vítima tem do agressor, a justiça fazer descaso, como muitos casos, um exemplo recente foi o estupro de Mariana Ferrer, seu estuprador saiu impune e a “justiça” justificou como “estupro culposo” onde não há intenção de estuprar, além disso usou fotos da vítima para justificar a violencia contra ela. Muitas vezes, as vítimas não possuem uma boa qualidade de vida financeira para se mudar ou dependem do agressor para sustentar a família, tudo isso mostra o quão precária é a vida de mulheres vítimas de agressão.
É fato que as mulheres sempre foram oprimidas, vistas como menos que os homens, e é fato também que apesar da luta pelos seus direitos, ainda hoje existam infinitas diferenças. A justiça, deveria se impor e se importar de verdade com as vítimas, e não absolver os agressores por serem ricos ou brancos. Poucas mulheres têm voz na política, na justiça e na maior parte dos cargos públicos, o mundo precisa de mudança e segurança para quem sofre agressão, uma das coisas que o Brasil não oferece.