Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 27/12/2020
A violência de gênero durante o isolamento social
A desigualdade de gênero no Brasil se mostra explicitamente por meio da violência contra a mulher, seja ela psicológica ou física. Atualmente, nossa sociedade sofre com um problema herdado desde a pré história, a cultura patriarcal, que influencia diretamente para a existência de relacionamentos abusivos onde a vítima é a mulher e o agressor, homem. Infelizmente, na maioria das vezes, a violência ocorre na casa onde a vítima não tem socorro e o agressor não é julgado, por isso, durante a pandemia causada pelo atual COVID-19, com o isolamento social, os casos de violência doméstica dispararam. Com a lei Maria da Penha, que entrou vigor em 2006, a lei do feminicídio, em 2015, e a de importunação sexual, de 2018, o combate ao crime de genero aumentou. Porém, apesar de haver rigorosas leis, não há medidas eficientes na reeducação da população. Segundo a psicóloga especializada em violência contra a mulher, Ana Flávia Gaya, muitas vítimas acabam por se silenciar e não denunciar possíveis agressões, por medo, não só do agressor, como do julgamento social que a mesma tende a sofrer. Além do silencio do sofrente, a ineficácia no cumprimento das leis é responsável pelo sentimento de impunidade por parte do agressor que, conforme dados do IBGE, fica impune em 60% das vezes, e assim continuam suas ameaças. Isso aumenta não apenas a insegurança da mulher, como também causa uma duvida em relação a verdadeira capacidade de defesa do cidadão encabida pelo poder público.
Ademais, como grande parte dessa violência ocorre na periferia, a condição econômica daquela que é atacada muitas vezes tende a não ser das melhores, e acaba se sujeitando a isso para ter ajuda na hora de sustentar não apenas a ela como também os filhos. Em tempos de pandemia, aonde a situação econômica de inúmeras famílias piorou muito, conforme dito pela terapeuta Ana, esse sujeitamento tende a crescer, e por causa da convivência ser maior, a violência também.
Portanto, é indispensável que haja a adoção de medidas pelo Ministério da Segurança que efetivamente punam o criminosos, e também em relação a prevenção desse tipo de agressão, o qual o Ministério da Educação se encarregaria. Para isso, é preciso investir em projetos socioeducativos direcionados à valorização da figura feminina e o repúdio a ações violentas, bem como no aumento da fiscalização de crimes de cunho sexista e misógenos, visando maior agilidade nos procedimentos adotados para o combate dessas transgressões, aspirando ajudar não somente mulheres que sofrem isso na pandemia como também no dia a dia normal.