Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 28/04/2021
“Por trás de todo grande homem há uma grande mulher”, a famigerada frase traz consigo a ideia de que um homem não conquista tudo o que tem sozinho: é auxiliado por uma mulher nos bastidores. Porém, Bastidores funcionam como a série criada por Rosana Paulino, em que se salienta o silenciamento das mulheres apesar de tudo que sofrem. Durante a quarentena, as mulheres tornaram-se protagonistas desse cenário em que a violência doméstica as acomete com mais facilidade, por conta do isolamento social e, ao mesmo tempo, o fato de estarem condicionadas a ficar junto de seus agressores durante o período.
A priori, com a globalização e avanço das tecnologias, tem-se a ideia de que há o encurtamento de distâncias e que a quarentena não se faz devidamente presente. Porém, essa relação muda quando se toma como base dados como o da Polícia Militar, que mostram um aumento de 44,9% no atendimento a mulheres vítimas de violência desde o início da quarentena em São Paulo. O isolamento social não tem somente impacto no número de vítimas, afeta na comunicação e apresentação de sinais como forma de pedir ajuda, já que o contato é limitado nesse contexto.
Ademais, a convivência entre os indivíduos e suas relações se intensificam, seja negativa ou positivamente. A interação mais frequente devido às restrições impostas pela pandemia, corrobora com desentendimentos que podem levar às mais diversas formas de agressão: verbal, psicológica e física. E, agindo como um ciclo vicioso, a falta de contato com pessoas exteriores à situação torna-se um empecilho no que tange a denúncia da violência e no tratamento da situação, que pode passar a ser tratada com normalidade pela vítima.
Em vista dos fatos apresentados, desprende-se que a quarentena se tornou palco para a violência doméstica, e que esse roteiro só tende a uma repetição contínua. Urge-se, então, que os indivíduos se mobilizem para a disseminação de informações que apresentem formas de lidar com a situação como, por exemplo, a exibição da campanha ‘Sinal Vermelho’ que salva vidas quando se tem devido conhecimento a respeito, e trazer à tona questões acerca da normalidade com que a situação é levada já que, com a frequência que vem a ocorrer, pode acabar sendo considerada comum para as vítimas e um gatilho para que se submetam a ela. Para que ocorra essa disseminação, as informações devem ser veiculadas através de meios de comunicação como as redes sociais, em que a participação coletiva gera a criação e compartilhamento desses materiais. A violência doméstica ocorre quando as cortinas estão fechadas, mas ações como esta mostram o ato para a plateia.