Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 07/05/2021
Nas últimas décadas, com o avanço do movimento em prol das mulheres e de seus direitos, ocorreu uma diminuição exponencial de tratamento abusivo e violento por parte da parcela masculina nos matrimônios. Em contrapartida, no Brasil contemporâneo, percebe-se que esse panorama de progresso teve um retrocesso, pois, devido ao cenário global de pandemia, aumentaram-se os casos de violência doméstica, majoritariamente contra mulheres. Dessa forma, é imprescindível explicitar os principais impulsionadores dessa crise: o ato de confundir diferentes manifestações sentimentais expressas no convívio e a dificuldade em afastamento das vítimas de seus agressores.
Diante desse cenário, é lícito postular que o quadro de semelhança entre a expressividade do esgotamento psicológico causado pela quarentena e o comportamento normalmente agressivo é um sustentáculo central do impasse. Nesse sentido, isso pode ser explicado ao perceber-se que, de acordo com às Neurociências, a convivência dentro de um ambiente confinado prejudica os indivíduos inseridos nele, uma vez que propicia ansiedade e instabilidade às psíques. Por conseguinte, as vítimas, ao compreenderem o cenário geral de esgotamento mental, identificam as atitudes violentas como uma manifestação desse cansaço. Então, por apresentarem sintomas exacerbadamente parecidos, a cônjugue vítima desse tratamento hostil acaba por acreditar que a agressão é somente o ápice de uma situação psicológica instável, o que caracteriza uma desinformação prejudicial à sua integridade física.
Ressalta-se, além disso, que a demanda por isolamento da conjuntura de contaminação impede o distanciamento das pessoas agredidas de seus violentadores. Sob tal ótica, é cabível inserir o contexto da série brasileira “Bom dia Verônica”, na qual uma delegada que trata de casos de abusos feitos à população feminina demonstra a necessidade de que a mulher afasta-se e desloque-se para longe, pois a distância garante sua segurança. No entanto, como no quadro atual essa transitação diverge das normas sanitárias, tal deslocamento é prejudicado e a pessoa é obrigada a perpetuar no mesmo local que o abusador, o que a põe em risco . Logo, percebe-se que a realidade imposta pelo Corona Vírus impede a plenitude de medidas contra a perpetuação da violência doméstica.
Depreende-se, portanto, a urgência de medidas para resolução da problemática. É mister que a Mídia, por meio de uma parceria com o Ministério da Saúde, crie campanhas nas redes televisivas que apresentem psicólogos que expliquem as diferenças entre o comportamento abusivo e aquele esperado pelo efeitos isolativo. Ademais, é imperioso que a família das vítimas, utilizando a higienização necessária, forneça abrigo para as tais e demonstrem uma alternativa para que se afastem. Assim, prever-se-á a atenuação da violência dentro das casas brasileiras durante a quarentena.