Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 14/05/2021

Vítimas da quarentena

No documentário “Silêncio das inocentes” lançado em 2010, é retratado a aplicação da Lei Maria da Penha no Brasil, com a intenção de informar e promover um debate sobre os casos de violência doméstica no Brasil, com depoimentos das vítimas. Infelizmente, tal assunto é extremamente recorrente, e com a atual situação de pandemia, em que famílias se encontram na quarentena, casos como esse tiveram um aumento significativo. Tal problemática se deve em virtude da intensa convivência entre os familiares e a dificuldade de denúncias da parte da vítima.

É importante ressaltar, em primeiro plano, que com a recomendação de que população permanecesse em casa, a Organização Mundial da Saúde logo alertou para o possível aumento de casos de violência doméstica, algo que infelizmente veio a ocorrer. Segundo especialistas, como por exemplo Marisa Gaudio diretora da OAB, a convivência intensa e a tensão do momento crítico de pandemia contribuiu para que os casos aumentasse, ela afirma também que uma pessoa que nunca bateu, por exemplo, pode ter descambado para a violência física.

Seguindo o mesmo raciocínio, muitas famílias enfrentam esse problema em segredo. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número de ocorrências de violência contra a mulher aumentou 44,9% apenas no estado de São Paulo, e 46% em casos de feminicídio. Logo, mesmo com um número gritante, foi confirmado pelo FBSP que mais de 50% de mulheres que sofreram agressões não denunciaram, expondo uma grande dificuldade em erradicar tal problema.

Dessa forma, é perceptível a necessidade de soluções para esse problema. O Governo, junto com os órgãos da Saúde e a mídia, deve por meio da oferta de seminários e debates na internet, orientar as famílias sobre o risco de se estar vunerável a esse tipo de crime e sobre a importância de denunciar caso esteja sofrendo qualquer tipo de violência. Além disso, pode-se também veicular campanhas, com panfletos por exemplo, explicando sobre tal delito. Tudo isso com a intenção de causar impacto na consciência do público alvo, não permitindo que situações retradas no documentário  “Silêncio das inocentes” se repita.