Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 21/05/2021
Conforme a Constituição Federal de 1988, todos os cidadãos têm direito à vida e à segurança. Entretanto no Brasil, a falta de debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena, mostra que tais obrigações não vêm sendo cumpridas. Desse modo, dois aspectos importantes se destacam: a dificuldade para denunciar os agressores e o posicionamento individualista da sociedade.
A princípio, convém ressaltar que a dificuldade para denunciar as agressões é um fator determinante para a persistência do problema. Assim, segundo o levantamento realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), os casos de feminicídio em 2020 subiram 46,2% em comparação com o ano anterior. Isto posto, nota-se que a cada dia, mais mulheres vêm sendo agredidas e até mesmo assassinadas pois não conseguem pedir ajuda, principalmente nessa época de quarentena, tanto pela escassez de linhas de denúncias, quanto pela burocracia no atendimento. Por fim, tendo como conclusão dessa realidade, tragédias.
Além disso, outra dificuldade enfrentada é o pensamento individualista e egoísta das pessoas. Nesse sentido, na 5º temporada da série americana ‘‘The Walking Dead’’, é retratada uma situação detestável de violência doméstica, onde toda a comunidade local tinha noção do que acontecia, porém, nada era feito. Em consonância com a realidade, muitos vizinhos e parentes presenciam essas tristes circunstâncias e resolvem ignorar pois vão de acordo com o seguinte ditado, ‘’em briga de homem e mulher não se mete a colher’’, contudo, a violência é um problema de todos. Por conseguinte, continuará havendo o aumento exponencial de ocorrências sem soluções.
Sendo assim, a falta de debate sobre o aumento da violência doméstica durante a quarentena em decorrência da Pandemia de Coronavirus, é extremamente prejudicial para a sociedade brasileira. Dessa forma, é preciso que o governo federal, como instância máxima do Poder Executivo, crie ‘‘As mulheres não estão sozinhas’’ que irá consistir em propagandas televisivas ensinando às vítimas símbolos para pedir ajuda caso esteja sendo agredida, e também disponibilizará uma linha de denúncias segura sem burocracia com ação imediata. Tal programa será financiado por meio de investimentos da área de segurança, a fim de que possa evitar que o fim dessa discussão seja a morte. Outrossim, também é necessário que a população como um todo fique atenta aos sinais e pedidos de socorro silenciosos , com a finalidade de salvar essas vítimas desesperadas que não são capazes de se defender.