Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 05/06/2021

REDAÇAO ARTIGO DE OPINIÃO UNIOESTE

Titulo: Não deixem eles olhares através das cortinas

Em consonancia com as ideias do filósofo contratualista John Locke, o Estado é responsável por assegurar o bom estar social e os direitos dos cidadãos. Desse modo, consoante a Constituição de 1988, todos os indivíduos são iguais perante a lei, sem distinção. Contudo, a perpetuação desse direito basilar encontra-se encoberta pela realidade nefasta que se encontra os menores em seus lares.Ainda, fatores como a negligência estatal e carência de uma boa estrutura famíliar, agravados pela situação pandemica global, tornaram-se obstáculos para concretizar seus direitos básicos.

Do meu ponto de vista, o negacionismo disseminado pela sociedade de uma utopia nas relações familiares impede, muitas vezes, a denúncia daqueles que sofrem abusos, sejam eles psicológicos, físicos, sexuais ou morais.Ainda, aspectos como o local onde as crianças moram, por exemplo na periferia, que encontram além do obstáculo social o urbano, visto que a presença policial é efemera ou inexistente, dificultando as denúncias.Ou seja, é visível que o amparo governamental não chega nessas pessoas, assim, somente ONG’s como a “Roda de mulheres-Apadrinhe um sorriso’’ uma rede tanto virtual quanto material que acolhe mulheres e crianças em situação de violência.

Aqueles que não concordam, bastam observar que houve um crescimento de 47% no número de denúncias de violência sexual contra menores em apenas poucos meses de pandemia. Entretanto outras formas de violência como a punitiva, permeiam as relações no núcleo familiar e são agravadas por discursos falaciosos e perturbadores como o do Ministro Milton Ribeiro estimulando a alcunhada “vara da disciplina que a correção deve ser rigorosa e lancinante- ainda que causem males psicológicos que perduram por toda a vida. Mas, cabe o lembrete que nosso ECA(estatuto da criança e do adolescente) proíbe veemente qualquer castigo ou tratamento cruel, nas formas de correção e disciplina, haja vista que além das marcas físicas as crianças podem apresentar quadros de depressão e pânico, além de baixo nivel de desempenho escolar, implicando no futuro laboral e social destes.     Concluo, portanto, que o aumento dos casos de violencia doméstica e familiar durante o isola- mento social é inegavel. Sendo assim, iniciativas da sociedade como o Projeto justiceiras, o qual oferece amparo multidisciplinar( assistencial, jurídico, e psicológico) à vitima de violência do- méstica e familiar, além da denúncia ser estimulada por uma postura mais aproximada com os menores, visando aumentar a confiabilidade nos responsáveis. Essas práticas são para evitar que as lares brasileiros não sejam como uma casa de bonecas, na qual todos fingem não existir violência.