Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 14/06/2021

Um dos principais filósofos iluministas do século do século XVIII, Emmanuel Kant, diz que a ética que guia as ações do homem, é pautada na razão, sendo ela universal e emancipada da cultura local do indivíduo. Nesse sentido, se certa atitude não tem como consequência o bem coletivo, é antiético. Paralelo a realidade, é evidente que alguns homens estão agindo contra esse pensamento, cometendo atos irresponsáveis, tal como o de violência contra a mulher, que aliado a pandemia, vem se intensificando o número de casos. Assim sendo, é imprescindível que o governo brasileiro atue para coibir esta problemática, que perdura há algum tempo, seja pela falta de informações sobre o assunto, ou pelo medo das mulheres de denunciarem.

No contexto da pandemia, laços familiares se intensificam, o que pode aumentar as tensões e atritos. E, aliados ao sentimento de incerteza e ao estresse, oriundos da pandemia, servem de estopim para discussões entre casais. Em meio a esses conflitos, surge o ditado popular, no qual erroneamente diz que, em briga de marido e mulher não se “mete” a colher. Entretanto, é necessário que, em casos assistidos de mulheres sofrendo violência física ou mental, a população aja em prol à vítima, na qual é sempre a personalidade feminina, denunciado o agressor.

Em um segundo plano, cabe mencionar que segundo um levantamento realizado pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), o número de ocorrências de violência contra a mulher aumentou em 2020, em relação a um mesmo período de 2019. Isto posto, é evidente que devido ao isolamento social, mulheres deixam de fazer denúncias, dado a impossibilidade de mover-se para outro local, gerando assim, um alto número de subnotificações. Assim sendo, é necessário que mais campanhas como a do “Sinal Vermelho”, proposta por algumas farmacêuticas do Estado de Espírito santo, que buscam ajudar mulheres que não conseguem denunciar seus parceiros, apareçam em mais estados, assim como também em outros tipos de estabelecimentos movimentados.

Urge, então, ações governamentais buscando acabar com esta problemática, com pensamentos voltados para o presente e para o futuro. A princípio, cabe ao Ministério da Saúde organizar palestras sobre o tema, para a conscientização da população acerca do assunto, e como agir diante dele. Pensando no longo prazo, é essencial que o Ministério da Educação adicione aulas de cidadania e ética na grade comum curricular, para que a sociedade em um futuro próximo, viva em harmonia. Com o fito de acelerar esse processo, é essencial que o Tribunal de Contas da União libere esses recursos, e só assim esse problema deixará de existir.