Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 13/06/2021

No contexto de pandemia e isolamento social, o convívio com a família e / ou aqueles que moram na mesma casa aumentaram. Para alguns, isso significou uma proximidade maior com esses. No entanto, para outros, isso resultou num desgaste e “afrouxamento” dos laços relacionais, tornando-os como nós. Sendo assim, os relatos de casos de violência doméstica aumentaram muito, principalmente contra mulheres. Além de que, muitas vezes, principalmente por viverem praticamente 24 horas por dia com o agressor, as vítimas não conseguem, ou, até mesmo, têm medo de denunciar.

De acordo com uma pesquisa feita pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), no estado de São Paulo, a quantidade de assistência a mulheres que sofreram de violência aumentou em quase 45% durante o período de quarentena. Tal que, o aumento da taxa de violência contra a mulher, está diretamente relacionado ao aumento, também, da violência doméstica. Além de que, essa, não retrata apenas da física, mas também da psicológica, sexual e moral, que são tão nocivas quanto. Todos esses tipos de agressão podem causar transtornos mentais à vítima, como depressão e ansiedade, por exemplo. Ou, até mesmo, nos casos de violência física ou sexual, onde, em casos mais graves, podem levar a debilitação do paciente, ou ainda, a morte.

Outro problema em relação a esse tema, é a subnotificação. Sendo esta, causada pelo medo, sensação de impotência, ou ainda, a impossibilidade de denunciar o que está sofrendo. Pois, na situação que estamos vivendo, de quarentena, o agressor, que pode inclusive viver na mesma casa que a vítima, priva-a de liberdade. Embora que, no Artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, diz que: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos”. No entanto, em relação a essa situação, se observa o contrário. Pois, esse agressor, além de cometer o crime de violência, no momento que está privando a liberdade de alguma pessoa, ou seja, mantendo-a em cárcere privado, está também infringindo os direitos humanos.

Percebe-se, então, que para o auxílio dos sofredores de violência doméstica, é importante conscientizar a população em geral. É necessário estimular e ajudar as vítimas a denunciarem. Tal como na campanha do “Sinal Vermelho”, na qual, mulheres podem buscar ajuda em farmácias de um jeito discreto, marcando um “X” na palma de sua mão. Deste modo, essa campanha pode ser ampliada, com a conscientização da comunidade como um todo, já que assim, qualquer um pode reconhecer o sinal e alertar as autoridades. Ademais, no caso de trauma ou desenvolvimento de transtornos psicológicos, cabe ao governo a disponibilização de atendimentos gratuitos com profissionais de saúde da área.