Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 16/06/2021
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que em São Paulo houve um aumento de 3.042 denúncias de violência doméstica em março de 2020 comparado ao mesmo mês em 2019. Com isso, torna-se evidente que, somado às raízes patriarcais, históricas e ideológicas do Brasil, a quarentena por ocasionar o distanciamento dos indivíduos da sociedade dificultou o acesso à informação e a meios de denúncias por parte das mulheres vítimas de agressões domiciliar, como também deixou os agressores a vontade. Dessa maneira, é imperioso que essa chaga social seja resolvida, a fim de combater as violências existentes perante as mulheres.
Em primeiro plano, faz-se necessário ressaltar que o Brasil ainda não se desprendeu completamente da sociedade patriarcal. Isso se dá, segundo a filósofa e escritora Judith Butler, pois ainda perdura a visão essencialista de gênero - que consiste em atrelar uma natureza intrínseca às mulheres. Assim, a cultura brasileira atribui uma função social às mulheres, tal como a submissão ao masculino, acarretando a naturalização de comportamentos violentos contra mulheres, que se dá de diversas formas.
Sob essa perspectiva, é necessário salientar que a violência de gênero se expressa através de vários costumes brasileiros. Essa é a opressão simbólica da qual trata o sociólogo Pierre Bourdieu: a violência perante as mulheres não se restringe ao confronto físico, estende-se à perpetuação de discriminações minuciosas que vão contra a dignidade delas. Nesse sentido, a quarentena acabou por intensificar as atitudes machistas e opressoras dentro do ambiente familiar, pois com o distanciamento das vítimas de outras pessoas e com isso a dificuldade de buscar ajuda, os agressores sentiram-se livres para cometer atrocidades. Desse modo, é imprescindível que se reverta a celeuma existente para que recebam a devida atenção e cuidado aquelas que necessitam.
Destarte, mostra-se necessárias as medidas de combate à cultura patriarcal brasileira, assim como políticas públicas voltadas ao auxílio de mulheres vítimas de violência. Para isso, compete ao Ministério da Educação juntamente aos devidos órgãos disseminar conhecimento acerca da história brasileira, por meio de palestras, teatros e matérias curriculares com o fito de potencializar a informação que a população detêm, de modo a reduzir os preconceitos e a enraização destes perante as mulheres. Como também, cabe a Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres promover melhores meios de denúncias e conscientização, através da criação de aplicativos e campanhas publicitárias, a fim amenizar e, futuramente, acabar com o patriarcalismo. Assim, os ideais de convivência, no que tange o respeito às mulheres, serão realidade.