Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 16/06/2021

O longa-metragem “Preciosa - Uma História de Esperança” retrata a realidade de milhões de pessoas no mundo ao apresentar como protagonista Claireece Jones, uma menina de 16 anos, analfabeta e que sofre dentro de casa uma série de abusos, tanto físicos, quanto psicológicos e ainda mais sexuais. Em concórdia com a realidade da Claireece, temos 66 mil vítimas de estupro, 1206 vitimas de feminicídio e 92 mil denúncias de violações contra mulheres no Brasil, dados de acordo com o site do Governo Federal e anteriores à pandemia do COVID-19. De fato, violência doméstica é um problema social e de saúde desse país e caso o Estado não tome providências, cenários como a Preciosa se tornarão ainda mais frequentes.

A preocupação aumenta cada vez mais, sendo que, atualmente, os atos de feminicídio subiram 46,2% e o número de atendimentos às mulheres vítimas de abuso cresceu em 44,9%, conforme o Instituto Maria da Penha. Isso ocorre por efeito da visão patriarcalista, ainda muito presente entre a população verde-amarela, somado com o isolamento, a ansiedade devido a nova doença e outros anseios. Todos esses fatores levam a externalização de sentimentos nocivos aos outros, e como mostram os números apresentados pela Revista Brasileira de Epidemiologia, 88,8% dos feminicídios são praticados por companheiros ou ex-companheiros das vítimas.

No entanto, é necessário salientar que formas para resolver o aumento dos casos de violência doméstica, já existem, sendo iniciativas de corporações como a campanha “Sinal Vermelho”, ações vindas do Governo Municipal e esforços da comunidade, tal qual a “rede de justiceiras”. Todas consistem em prover apoio e informação às vítimas, através de assistência jurídica, psicológica e denúncia dos casos, conforme a “rede de justiceiras” provendo esse apoio através do WhatsApp, ou da campanha “Sinal Vermelho’’ em que as mulheres podem pedir ajuda em farmácias de forma discreta. Dessa forma, ao intensificar os meios de apoio e divulgação dos casos de violência doméstica, haverá uma conscientização maior sobre o assunto, acarretando em uma diminuição de novos casos e abrandamento das ocorrências.