Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 15/06/2021

A obra de Beatriz Schwab e Wilza Meireles “Um soco na alma" caminha mediante relatos verídicos de mulheres abusadas psicologicamente por seus maridos e a realidade da dificuldade de denúncia. Em consonância com a realidade destas mulheres, está a de milhares. Conforme o isolamento social atribuiu-se uma maior constância de contato entre os parceiros, dificultando a possibilidade de denúncia, além do aumento do número de agressões. Por estas razões, torna-se imprescindível um debate acerca do aumento de casos de violência doméstica durante a quarentena. Visto que, como consequência do atamancado sistema de defesa da mulher, atribuíram-se fragilidades às leis de defesa e apoio à vítima.

Em primeiro lugar, vale salientar que o Brasil é um país historicamente machista, a opressão e agressão a mulher são problemas estruturais vivenciados até o presente. As obras supracitadas evidenciam experiências de abuso ocorridas mesmo após o início do “empoderamento” feminino e a conquista da sancionada Lei Maria da Penha. Dessa forma, é nítido que a atribuição do isolamento social, contribuiu com a ascensão da estrutura familiar patriarcal e de seus velhos hábitos.

Em segundo lugar, até o presente momento, a realidade quanto a segurança da denúncia é duvidosa, uma vez que a pluralidade dos casos não é levada a um julgamento do transgressor. Os processos de declaração de abuso são desumanos e invalidam a vítima caso as evidências não sejam mais do que explícitas. Vítimas de abusos psicológicos raramente recebem atenção. Uma vez que, as esferas de poder míopes perante a sociedade patriarcal, tornam as vítimas impotentes e as silenciam. Nesta perspectiva, se exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, no qual se descrevem como presentes na sociedade, porém inoperantes e ineficazes.

Dessa forma, o agressor acaba sendo inocentado. Portanto, conclui-se que a quarentena pode evidenciar as chagas sociais quanto a violência doméstica. Nesta perspectiva, a postura das esferas governamentais deve ser repensada a partir de uma lógica justa. Cabe às Instituições de Defesa da Mulher e a Polícia Militar auxiliar o processo de denúncia tanto durante, como após. Disponibilizando acompanhamento médico e psicológico gratuito às vítimas, a fim de amenizar a situação diante dos ocorridos. Dessa forma, será possível completa refutação da inoperância das instituições.