Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 15/06/2021
No filme “IT, capítulo 2”, lançado em 2019, somos introduzidos a uma cena onde a protagonista, Beverly, entra em confronto com o marido após uma suspeita de traição. A personagem acaba sendo vítima de espancamentos e ofensas, caracterizadas como violência doméstica, fazendo assim um paralelo com a situação de muitas mulheres brasileiras que também sofrem desse mal. Durante a pandemia de covid-19, devido ao enclausuramento social, foi registrado um aumento de 44,9% nos atendimentos à vítimas de situações como a de Beverly, o que nos leva a discorrer sobre os motivos que causam estas agressões, seja pela construção da sociedade patriarcal, seja pela normalização dos casos de violência contra a mulher
O fato é que o mundo contemporâneo foi desenvolvido com base no machismo e na desigualdade de gênero. A ideologia do patriarcado crê que os homens estão em posição superior às mulheres devido a um conjunto de crenças biológicas e naturais, por isso o gênero feminino deveria ser submisso ao masculino. Entretanto, de acordo com a filósofa Simone de Beauvoir, todas as concepções que sustentam o patriarcalismo, na verdade, são padrões comportamentais dados às mulheres e homens de cada época que são reproduzidos a séculos numa estrutura de opressão.Sendo assim, não há nenhuma razão (natural ou não) que justifique qualquer tipo de agressão contra as mulheres. Esse sistema vem se reafirmando cada vez mais durante a pandemia de coronavírus no país, uma vez que o isolamento social fortifica o arranjo patriarcal dentro dos lares brasileiros.
Além do mais, a normalização dos casos de violência doméstica e familiar junto da cultura do silenciamento são fatores significativos que acentuam este problema. Como exemplificado no livro “Três Guinéus” da escritora Virginia Woolf, as mulheres sempre foram impedidas de participar da vida pública, o que as caracterizava como uma espécie de propriedade privada dos homens. Portanto, era comum que a sociedade considerasse válida e normal qualquer medida que deixasse o gênero feminino sob um estado de dominação constante, silenciando seus agressores. O processo de quarentena consequentemente, intensifica este sentimento à medida que crescem as tensões domésticas, dificultando o acesso à denúncias e a busca por ajuda.
À vista disso, são necessárias medidas urgentes por parte do estado. O ministério da segurança em parceria com o sistema de educação, deve criar programas que abram espaço para mulheres vítimas de violência doméstica serem ouvidas, a fim de educar a população masculina sobre a importância da igualdade de gênero e da denúncia de agressão. Tal projeto será realizado por meio de verbas públicas e disseminação via midiática, como jornais, redes sociais, cartazes e propagandas televisionadas.