Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 17/06/2021
Durante a quarentena, as mulheres ficam mais tempo em casa, na companhia de parceiros e familiares, o número de casos de violência doméstica aumentaram significativamente. Em abril de 2020, o isolamento social durava mais de um mês e a quantidade de denúncias de violência contra a mulher aumentou, aproximadamente, 40% em relação ao mesmo mês de 2019, segundo dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Essas agressões não se limitam apenas ao ato físico, como também danos psicológicos, patrimoniais, emocionais, financeiros, entre outros.
Desde os primórdios da humanidade, há uma forte cultura patriarcal em várias sociedades, colocando os homens nos espaços de poder. Durante o período da Grécia Antiga, por exemplo, mulheres não podiam participar de instituições democráticas - e essa prática persistiu por muito tempo. Essa desigualdade de gênero estrutural é uma das principais causas da violência contra a mulher. A cultura em questão não valoriza as mulheres como uma pessoa com direitos, mas trata-as como um objeto. Este pensamento está naturalizado no corpo social, tornando-se, muitas vezes, imperceptível. A pressão estética, como também o impedimento de ocupar lugares políticos e do trabalho são atos violentos, mas tratados como comportamentos comuns.
O Brasil ocupa a quinta colocação no ranking mundial de violência contra a mulher. Apesar do país dispor de inúmeras leis e serviços com propósitos de atender a estas pessoas, muitas vezes não são eficientes. Em tempos de isolamento social, a denúncia torna-se mais difícil. O medo de enfrentamento dos parceiros e familiares é ainda maior. A falta de empoderamento feminino é um problema difícil de ser combatido no momento atual, porém não é impossível. Um grande avanço seria a diminuição do número de casos de violência contra a mulher a serem julgados.
Logo, fica exposta a necessidade de medidas para amenizar o aumento de casos de violência doméstica durante a quarentena. Enfim, campanhas de conscientização e incentivo a denúncias; a agilização dos processos judiciais; o reforço de leis trabalhistas, garantindo vagas de empregos igualitários e a criação de uma bolsa salarial para mulheres que apresentaram uma denúncia de agressão são algumas ações que devem ser tomadas. Portanto, é possível criar um país mais igualitário.