Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 17/06/2021
Em Private Violence, premiado documentário de 2014, é possível acompanhar a história de Kit Gruelle: uma sobrevivente de uma situação de abuso doméstico que atualmente trabalha como advogada em casos semelhantes ao que experienciou. Mesmo que se trate de um filme americano, não é difícil perceber que cenários semelhantes aos relatados pelo longa são materializados em muitas moradias brasileiras nos dias atuais. O fato, porém, que não se encontra em evidência nas discussões da sociedade é de como esses casos de violência doméstica aumentaram durante o período de quarentena e distanciamento social.
Assim como as mulheres assistidas por Kit, muitas brasileiras encontram em seus lares situações de violência física, verbal e sexual, que infelizmente tem se tornado mais comuns durante a pandemia do novo coronavírus. Segundo uma pesquisa feita pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ouve um aumento de quase 50% nos atendimentos dos casos. com quase 10.000 eventos somente no estado de São Paulo. E, simultaneamente a essa crescente nos casos, verifica-se a ausência de ambientes onde essas pessoas podem se sentir seguras de realizar denúncias, devido a um contexto de isolamento social vivenciado nesse período. Claramente esses espaços seriam de extrema importância em momentos como esse, e, se reforçados por divulgação em campanhas de conscientização, possibilitariam uma melhora no quadro alarmante atual.
Além de todos os problemas existentes em relação ao acesso a assistência para as vítimas, é perceptível ainda na sociedade um discurso que minimiza esses ocorridos, e consequentemente desencoraja parte dessas mulheres a procurar ajuda. Diversas falas afirmam erroneamente que pessoas em situação da violência doméstica estão nelas por “vontade própria”, e que possuem total capacidade de realizar uma denúncia se lhes for conveniente. Assim, além da conscientização das próprias vítimas, o melhor esclarecimento dessas situações para a população geral é imprescindível.
Portanto, é necessário e urgente que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos organize ações de escopo nacional que permitam o acesso detalhado a informação pelas vítimas da violência doméstica, além da ampliação dos recursos de denúncia já existentes. As informações devem ser transmitidas por meio de campanhas em diversas mídias, e englobar desde a identificação do abuso até como realizar uma acusação. A chegada da informação deve ser acompanhada de meios que possibilitem a denúncia dentro do próprio ambiente domiciliar, facilitando que tais acontecimentos seja comunicado as autoridades policiais. Assim, espera-se reverter o aumento nos casos durante o período de quarentena e tornar cada vez mais raras histórias como a de Gruelle.