Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 15/06/2021
A hostilidade de um ambiente doméstico durante o isolamento social
É recorrente na atualidade debates sobre violência feminina. Através da história, muitas comunidades adotaram uma ideia de patriarcalismo, colocando a figura do homem como superior à da mulher, seja por questões culturais, religiosas ou por simples vontade de estabelecer uma hierarquia de poder. Dessa forma, corrompidos por uma sensação de superioridade, uma parte desses homens tomam atitudes agressivas contra o sexo oposto (agressão física, estupro, assédio, humilhação, difamação, entre outros exemplos), situação que era banalizada até meados do século XX com a intensificação dos movimentos em prol dos direitos femininos, que abriu um pouco mais os olhos da sociedade para esse mal.
Apesar da forte presença dos movimentos supracitados na contemporaneidade, cenários de violência doméstica ainda são problemas graves, e acabaram piorando durante o período de isolamento social. Somente no estado de São Paulo, a quantidade de casos relacionados ao tema registrados pela Polícia Militar aumentou 44,9% em um ano (de 6775 para 9817 casos). Esse aumento é compreensível por questões de estresse e pressão mental durante a pandemia, contudo isso não é uma desculpa para situações hostis dentro do lar, uma vez que mesmo antes da quarentena entrar em vigor os números ainda eram notáveis.
Junto com o ato de agredir em si, também há o problema do silêncio ‒ seja por medo, ameaças ou chantagens, muitas mulheres acabam silenciadas pelos agressores, auxiliando a banalização do crime ‒ e a má infraestrutura jurídica-legislativa que dificulta a ação da justiça, levando muitos criminosos a serem inocentados indevidamente no caso de um processo ou prisão. Para combater essa calamidade, existem várias atitudes que podem ser tomadas, como exemplo no estado do Espírito Santo, no qual ocorre a campanha Sinal Vermelho, onde as vítimas exibem discretamente um símbolo de “X” na mão ao ir para farmácias para pedir ajuda aos funcionários. É viável também investir em um acompanhamento terapêutico para o ofensor, contribuindo não só para a detenção, mas também para a reabilitação dos citados.