Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 16/06/2021
Duplamente ameaçadas
A pandemia do COVID-19 trouxe uma grande e repentina mudança na vida de todos. Para tentar diminuir a disseminação do vírus, medidas como isolamento social e quarentena são essenciais. Na vida de alguns, tempo de reflexão e “boas vibrações”, mas infelizmente para milhões de mulheres e meninas pelo mundo, momento de terror e medo.
Conter a violência doméstica no período de distanciamento social, têm sido um grande desafio, já que segundo a Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 75,9% têm um vínculo com o seu agressor, e nesse contexto, estão vivendo confinadas com eles.
Mulheres estão sendo duplamente ameaçadas por um vírus letal e por pessoas violentas no seu convívio diário, conforme levantamento feito em 2020, 51% dos agressores são seus atuais companheiros. O Tribunal do Rio de Janeiro, divulgou que houve um aumento de 50% nas ocorrências, e esse número pode ser ainda maior, já que está disponível com seus parceiros, difícil em seu contato com meios de ajuda, sejam eles de atendimento ou contando para amigos e familiares. Ademais, de acordo com o Instituto Igarapé, há notoriamente uma subnotificação dos casos, além de dificuldades na coleta e padronização das informações. Resultando em dados, escassos, incompletos e desatualizados. Muitas mulheres não chegam a denunciar o agressor, por diversos fatores, como: medo, vergonha, preocupação com os filhos,
Nessa perspectiva, as associações que essas mulheres têm acesso, são um serviço de proteção social instantâneo e não perdurável. Exemplificando a teoria de Bauman sobre as instituições zumbis, que existem mas não cumprem seu papel com excelência.
Cabe ao Poder político, desenvolver políticas que visem a minimização dos efeitos deletérios das medidas propostas ao contexto da pandemia COVID-19, assegurando a proteção tanto ao vírus, quanto às vítimas de violências domésticas, para que combater, tanto os casos de coronavírus, quanto os violência doméstica, antes que virem cada vez mais, estatísticas de feminicídio.