Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 17/06/2021

O livro “É Assim que acaba”, de Colleen Hoover, trata de violência doméstica. Nele, Lily, criada em um ambiente onde o pai abusava da esposa, prometeu a si mesma que nunca passaria pela mesma situação. No entanto, as coisas não ocorrem como ela imaginava, e antes que ela percebesse, ela se vê na mesma situação que a mãe. Assim como a grande maioria das mulheres que se vêem em relacionamentos abusivos. E em uma situação que pode piorar ainda mais no período de isolamento que o Brasil está vivendo.

No Brasil pré-pandemia, 27% das mulheres maiores de 16 anos já haviam sofrido algum tipo de violência. Durante a pandemia, o cenário piora. Em alguns estados brasileiros, o número de denúncias de casos assim aumentou em mais de 250%. Isso sem levar em conta o número de casos que não são reportados às autoridades. Antes da pandemia, havia diversos motivos para mulheres não denunciarem seus agressores: medo, dependência financeira, filhos frutos daquele relacionamento, entre outros. Com o isolamento social, outro fator foi adicionado à lista de desafios: a falta de contato com outras pessoas afasta as vítimas de sua rede de apoio e de pessoas que poderiam ajudar nesse processo.

Escolas e outras instituições são indispensáveis no reconhecimento e denúncia de casos de violência doméstica, mas com esses espaços de convívio social fechados, os sinais das agressões não são notados e as mulheres não recebem ajuda. Também é necessário levar em consideração o cenário econômico do país, que piorou com a Covid-19 e levou várias pessoas ao desemprego, o que pode piorar a tensão na casa, piorando os casos de violência.

Devido a todos esses fatores, era esperado que os casos de violência doméstica aumentassem com o isolamento social, tornando necessário o aumento de políticas públicas para melhorar a conscientização da população e achar maneiras para que as vítimas possam denunciar os abusos com segurança, sem que os agressores saibam. Com a melhora desses recursos, as vítimas se sentirão mais seguras para denunciar e sair do ciclo de agressão que se encontram.