Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 20/06/2021

Já faz mais de um ano que a sociedade se encontra em meio a pandemia do coronavírus, que trouxe diversos problemas e agravou muitos outros que já existiam, com a necessidade de haver um isolamento social as pessoas precisam ficar mais tempo em suas casas, o que intensificou tensões entre familiares. Mulheres que sofrem de violência doméstica e que antes tinham mais possibilidades de denunciar, agora vivenciam uma realidade ainda mais limitada.

É importante destacar que historicamente a violência no Brasil está estruturada na desde cedo, e em uma sociedade machista que além de oprimir omite tais opressões, não pensar que a pandemia iria intensificar esses problemas é praticamente ignorar o óbvio. De acordo com a Polícia Militar no início da pandemia as denúncias de violência doméstica aumentaram em 44% apenas no estado de São Paulo, trazendo a ineficácia das ações do governo, apesar de ser responsabilidade institucional.

Como já dizia Simone de Beauvoir, não se nasce mulher torna-se, já que existe todo um pensamento construído socialmente esperado pelas mulheres, dificultando mais uma vez o estímulo do engajamento social sobre a causa. Nesse contexto, além de não conseguirem sair de casa para denunciar, quando conseguem ligar ou falar com alguém muitas vezes há uma desconfiança por parte da sociedade, desencorajando mais ainda essas mulheres a tentarem se defender. Tendo em vista esses fatores pode-se dizer que medidas precisam ser tomadas urgentemente para alcançar uma sociedade mais presente para uma ajuda mais eficaz.

Sendo assim é válido reforçar a necessidade de uma maior mobilização social e do governo para manter a segurança dessas mulheres, não apenas durante a pandemia mas sempre. Áreas de educação, saúde e segurança são importantíssimas para isso, trazendo desde cedo na vida dos indivíduos os problemas sociais e suas consequências, juntamente com um maior apoio e suporte por parte de órgãos públicos para com essas mulheres que já estão em risco, e também debates e ações a fim de promover uma maior conscientização social com o intuito de combater ideologias patriarcais. Desse modo, desenvolvendo uma sociedade ciente de seus problemas e mais apta a resolvê-los da melhor maneira.