Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 17/06/2021
Com a quarentena, fruto da pandemia, as famílias encontraram-se presas ao ambiente doméstico. Decorrente disto, as tensões quanto o ambiente familiar aumentaram exponencialmente, agravando os casos de violência doméstica, principalmente no que diz respeito a violência contra as mulheres. Tal qual, sem vias para escapar do agressor, ficam a mercê da situação. Antro dessa relação, parte da própria instituição machista da sociedade, neste caso, agravado na estrutura familiar.
O machismo como parte da estrutura familiar, concretizou-se na idade média. Remontando-se tempos onde o ensinamento bíblico, ou seja: a religião, era aquela encarregada de assentar a estrutura da família, tanto em valores morais, quanto no que tangencia o funcionalismo das relações. Fica eminente o mimetismo católico que coloca a mulher no posto puramente servil da família. A função da mulher neste caso é: gerar a prole e se encarregar dos afazeres domésticos, enfatizando o conforto do pai e de seus filhos.
Esta concepção catolicista de família, percola a sociedade até os dias de hoje, e a consequência disso é o trato da mulher como mero objeto na relação. O que acaba por justificar o meio violento de coerção por parte dos homens, que colocam as mulheres como propriedade. A materialização dos atos violentos evidenciou-se com a pandemia, onde, só no Estado de São Paula, a Polícia Militar registrou um aumento de 44,9% no atendimento a mulheres vitimas de violência familiar. Isto em função da estrutura de família adotada pela maior parte das famílias nos dias de hoje.
Tendo em mente que o cerne problemático está justamente na forma pensada de família, fica evidente que o meio pelo qual o problema pode ser resolvido é alterando a estrutura social destas relações. Isto é: partindo de um programa agenciado pelos órgãos responsáveis pela educação, como o MEC por exemplo, iniciar um processo de conscientização na própria base familiar, trazendo na educação fundamental e no ensino médio, as questões pertinentes às relações domésticas.
A consequência disso começa a aparecer imediatamente nas relações de casa, com os filhos conscientes do que pode ocorrer. Sendo assim: não normalizando situações de violência doméstica, e sabendo como agir nesses casos. É um processo demorado e custoso, mas que trará consequências permanentes na sociedade, eliminando problemas com os quais nos deparamos hoje.