Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 16/06/2021
No início da Pandemia, o Instituto Maria da Penha postou o filme “Call”, que retrata um caso de violência doméstica, identificado por meio de uma videoconferência com colegas de trabalho. Em meio ao cenário atual, onde a realidade é ficarmos o tempo todo em casa, não só aumentam o número de ocorrências, mas também dificulta mais ainda que estes casos sejam denunciados e a pessoa receba a ajuda necessária, principalmente para aqueles em realidades precárias e sem acesso à informação.
Com a quarentena, sentiu-se a necessidade de encontrarmos outros meios para falar sobre a violência sofrida dentro de casa, e em consequência como denunciá-la em meio a nossa nova rotina, que torna mais difícil a percepção de possíveis sinais de perigo. Surgiu então na rede social um movimento de conscientização de como pedir ajuda, como, por exemplo, ligar para a polícia e pedir uma pizza de pepperoni virou uma maneira de indicar uma ameaça. Entretanto, o que torna mais preocupante é não conseguimos mensurar com certeza o real número de ocorrências, pois a problemática é envolvida por medo e as pessoas não denunciam. Resultando no aumento de 49% de casos de mulheres vítimas de violência, e o número de feminicídios subiu 46,2% também.
Mulheres que vivem nas periferias, idosas, crianças, adolescentes, negras, transexuais e travestis, são as vítimas mais vulneráveis e que em muitos casos podem não ter acesso à ajuda. Com muitos desempregados e convivendo todos os dias com o seu agressor dentro de casa e a redução do acesso às redes de proteção, torna-se mais difícil ser mulher na quarentena. Combinada com a falta de apoio dos órgãos públicos, mulheres se vêem dependentes financeiramente e não enxergam uma possibilidade de vida segura fora de casa.
Em meio a realidade da pandemia, é importante prestarmos mais atenção nas mulheres ao nosso redor, como no filme “Call”, oferecer ajuda sempre que necessário. A violência doméstica é um problema social e de saúde pública, e é imprescindível a organização de visitas periódicas de assistentes sociais a lugares de maior vulnerabilidade e com menor possibilidade de acesso à informação. Através de campanhas e conscientização de comércios para a procura de sinais de abuso e violência, instruir a denúncia e disponibilizar diálogos com funcionárias mulheres para maior conforto. Além disso, a junção do Ministério da Mulher, responsável pela segurança durante os processos e apoio à mulher, e a utilização do Programa Casa Verde e Amarela para a disponibilização de moradia e tornar seguro a denúncia da violência doméstica.