Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 03/07/2021
De acordo com a Organização das Nações Unidas, os países e seus respectivos governos devem buscar o cumprimento da Declaração Universal dos Direitos Humanos. No documento, um dos direitos de todo ser humano é a segurança. Portanto, quando há um aumento de casos de violência doméstica na quarentena, como percebe-se hoje, o Estado deve e a sociedade devem alertar-se. Nesse contexto, a alta na ocorrência da violência doméstica é o agravamento de um problema que tem raízes anteriores à pandemia. Portanto, a quarentena deve ser encarada como uma situação que favorece esse aumento e não como sua causa.
Em primeiro plano, ao encarar o isolamento social como causa, há um engano. Isso porque, com esse posicionamento, cria-se uma falsa justificativa, como se a raiz da violência praticada no lar fosse culpa da pandemia e não um reflexo de problemas sociais enraizadas na sociedade brasileira. Assim, há uma dificuldade de traçar medidas para enfrentar o problema por sua raiz, já que há um engano no processo de identificação de sua origem. Então, não se deve encarar a quarentena como motivo da violência que já era presente antes da Covid-19.
Dessa forma, a quarentena deve ser encarada como uma situação que agrava a ocorrência da violência doméstica. Ou seja, ela corrobora para o aumento de casos de violência doméstica, mas não deve ser usada para justificar nem legitimar esse tipo de agressão. Como defendia a filósofa Hannah Arendt, a violência pode até apresentar certas justificativas, que, entretanto, nunca lhe imprimirão legitimidade. Em última análise, a quarentena é um problema para a questão do aumento das estatísticas de violência doméstica no país ao passo que cataliza a ocorrência de casos. No entanto, quando busca-se uma solução, o isolamento social não deve tirar o foco das questões sociais envolvidas na origem dessa violência.
Em suma, o isolamento social na pandemia configura um fator que agrava a questão da violência doméstica. Além disso, esse fato não deve ser confundido com a justificativa para tal problema social. Para combater esses casos, a mídia deve, por meio de campanhas e debates sobre a violência doméstica em tempos de quarentena, distribuir informação que possibilite a denúncia segura para as mulheres, além de desconstruir, por meio dessas discussões, a ideia de que a quarentena é o maior problema, pensamento que daria brecha para que as vítimas considerarem que a violência acabaria após o término da pandemia. Assim, há uma maior clareza sobre a natureza da violência doméstica para a sociedade, contribuindo então, para que essa combata tal absurdo.