Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 17/08/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que os casos de violência contra mulher vem aumentando durante o isolamento social. Esse cenário antagônico é fruto tanto da misoginia quanto da geligência governamental. Diante disso, trona-se fundamental a discussão desses aspectos a fim de pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamnete, é fulcral ressaltar a misoginia mediante esse impasse. Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês do século XX, a “modernidade líquida” diz respeito a uma nova época em que as relações sociais são maleáveis, como os líquidos. Sob o mesmo ponto de vista, observa-se que o tecido social possui grande preconceito quando se trata de mulheres, tudo que a mulher faz é motivo para criticas, abusos - seja físico, moral ou psicológico - e tudo isso apenas por serem mulheres, consideradas frágeis e inferiores. Além disso, no contexto atual de pandemia, em que a maioria das famílias passa maior parte do tempo em casa, a violência contra mulher aumentou de forma que, de acordo com a Polícia Militar de São Paulo, as vítimas cresceram 44,9% de 2019 para 2020 (início da pandemia). Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Ademais, é importante pontuar que a violência contra mulher deriva da baixa atuação dos setores governamentais no que concerne à criação de mecanismos que solucionem tais reccorências. Conforme a Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, que prevê, em seu artigo 6º, o direito à segurança como inerente a todo cidadão brasileiro. Todavia, o que percebe-se na realidade é o oposto, visto que a violência contra mulher tem aumentado gradativamente e os canais de denúncia não são eficázes, já que muitas mulheres denunciam e não são ouvidas, como aconteceu com a modelo Mari Ferrer, que sofreu abuso sexual porém seu caso foi simplesmente descartado. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura governamental de forma urgente.
Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar os casos de violência contra mulher, necessita-se, urgentmente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Mulher será revertido em verbas, por meio da criação de canais de denúncia que realmente escutem e assegurem todas aquelas que ligarem em busca de ajuda - e pela implementação de canais de comunicação que liguem pelo menos uma vez por mês para cada mulher - a fim de garantir a segurança e proteção das mulheres desamparadas e vítimas de qualquer tipo de abuso.