Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 21/07/2021
No filme “It a Coisa: Capitulo Dois”, a jovem Sofhia Lilis interpreta Bervelly Marsh, uma criança abandonada pela mãe que é constantemente abusada e agredida em sua residência por seu pai, Alvin Marsh, um homem bêbado e pedófilo. Não obstante, fora da ficção, casos de violência doméstica, na mesma proporção e até mais delicados que o filme supracitado, têm crescido no Brasil durante a pandemia de COVID-19. À vista disso, deve-se elencar duas causas para análise dessa situação: o excessivo consumo de bebidas alcoólicas por parte dos homens, aliado à instabilidade econômica dessas famílias.
Antes de tudo, é importante ressaltar que qualquer tipo de violência, seja ela verbal, física ou outra, é inaceitável em qualquer meio. Nesse sentido, é evidente que o abuso de bebidas alcoólicas é um fator a se considerar, pois, segundo dados do Instituto de Pesquisa Ibope, cerca de 37% das agressões ocorridas nas residências são frutos de pessoas embriagadas. Essa condição, para Maria da Penha, líder de movimentos de defesa dos direitos das mulheres, é inaceitável, uma vez que, para se ter uma relação saudável, há de se ter respeito mútuo entre o casal, o que, de fato, não tem acontecido no país - haja vista o caso do Dj Ivis que, segundo sua esposa, Pamella Holanda, a humilhava e agredia de várias formas quando retornava de festas com alta ingestão de bebidas.
Ademais, é fundamental apontar a instabilidade econômica dessas famílias como impulsionador do problema. Nesse sentido, o Ministério da Cidadania estima que hoje, no Brasil, há cerca de 14,8 milhões de pessoas desempregadas. Nesse fio, é perceptível que há ligação entre a violência doméstica e a fragilidade financeira, dado que, com a perda de controle sobre à situação financeira da casa, o homem tende a se sentir vulnerável, partindo para seus instintos mais primitivos para recuperar essa segurança - basta ver a pesquisa do Banco Mundial, que apresenta um aumento de 431% em relatos de brigas de casal durante a pandemia. Assim sendo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
É claro, portanto, que essa conjuntura precisa ser mudada. Para tal, é imprescindível que o Governo Federal, por meio do Ministério da Justiça e Ministério da Cidadania, realize campanhas educacionais, com o auxílio de psicólogos e psiquiatras, que tenham a finalidade de atingir famílias com um consumo de bebidas alcoólicas excessivo - vide a campanha “Anti Alcoólicas”, que atua nos núcleos de comunidades carentes alertando sobre o malefício de tal ato. Além disso, cabe também à sociedade não fechar os olhos para qualquer sinal de agressão doméstica, denunciando aos canais públicos qualquer tipo de perigo nas residências. Dessa forma, esses atos como estes diminuirão, e casos como de Bervelly Marsh ficarão no passado.