Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 21/07/2021

A princípio, ao se observar diversas obras no acervo cultural nacional, como em várias novelas apresentadas em rede aberta, percebe-se a recorrência do tema da violência doméstica. Nesse sentido, embora essa problemática sempre fosse evidente na sociedade brasileira, com suas raízes na cultura machista e patriarcal, fica claro um aumento exponencial desses casos durante a quarentena, uma vez que a busca por ajuda foi dificultada.

Mormente, a série “The Bold Type” acompanha os desafios de três mulheres ingressando em suas carreiras, e demonstra como a cultura sexista que permea a sociedade contemporânea oferece obstáculos, como a violência doméstica. Paralelamente, ao colocar a mulher em um papel de submissão ao homem, o ideário social patriarcal também origina um sentimento de culpa e de vergonha na vítima, facilitando as agressões e oferecendo ainda mais resistência e dificuldade ao pedido de socorro.

Nesse contexto, é certo inferir um aumento na violência doméstica durante o período da pandemia, uma vez que o contato isolado da vítima com o agressor sofreu drástica ampliação. Além disso, o sentimento de culpa supracitado também tem forte influência sobre a mulher, pois o cenário de quarentena possibilita uma maior manipulação e isolamento de indivíduos externos ao relacionamento, de forma a inibir uma possível denúncia. Desse modo, esses fatores contribuíram para que uma a cada quatro mulheres fossem vítima de agressão em 2020, segundo o Datafolha, comprovando a realidade dessa problemática.

Destarte, tendo em vista a crescente violência doméstica e suas origens na cultura machista e patriarcal, urge tomada de ação. É essencial que o Ministério da Educação realize campanhas nas instituições de ensino trazendo a temática da igualddade de gêneros e da violência contra a mulher para jovens, de modo a desconstruir o ideário sexista desde cedo e impedir futuras agressões. Ademais, é importante a ação do Estado ao mobilizar Secretárias de Segurança Pública e Delegacias da Mulher para a divulgação e incentivo de linhas de denúncia, além da realização do atendimento seguro das vítimas de violência. Assim, novelas retratando violência doméstica não passarão de obras de ficção.