Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 24/07/2021

O caso do Dj Ivis ocorrido durante o ano de 2021 é o exemplo mais explícito de que a violência doméstica ocorre e ainda atinge milhares de mulheres no Brasil. Esse fenômeno, agravado durante a pandemia, nos revela como a violência contra a mulher é recorrente e continua sendo banalizada no atual país. Nesse sentido, através da perpetuação de ideais machistas, cuja origem é histórica, criam-se barreiras que dificultam a busca de ajuda pelas vítimas, além de fomentar o surgimento de novos casos semelhantes a este.

A princípio, sabe-se que a contínua presença da violência doméstica contra as mulheres hoje em dia é fruto da afirmação e reprodução de ideais preconceituosos de datas passadas. Este processo, determinado pela desigualdade de gênero através da objetificação da mulher, faz com que o feminino seja considerado inferior e pré disposto a servir o masculino, como já comentado por Simone de Beauvoir. Tal ideal, agrava-se na medida em que a mulher passa a ser vista como forma de poder, o que propicia a violência contra a mesma. Desta forma, a sociedade como um todo passa a ser hostil para a vítima, impedindo a sua busca por ajuda.

Além disso, a constância de casos de violência doméstica durante a pandemia é a própria representação do quão ineficaz é o Estado diante de tais situações. Essa tendência, ocasionada pela falta de profissionais especializados, mescla-se com a reprodução do próprio machismo que deveria ser combatido pelos mesmos. Isto é observável no filme “Vidas Partidas” que, apesar de ser uma ficção, nos revela como a protagonista recebe suportes infímos das autoridades que deveriam protegê-la diante dos abusos sofridos pelo marido. Nisso, fica evidente que mesmo que a vítima busque auxilio, a insegurança e o constrangimento diante do seu atendimento propicia com que o caso não seja levado a sério, acarretando no surgimento de novos casos que passarão impunes.

Partindo desta perspectiva, para a resolução de tais problemas fica necessário o aperfeiçoamento de profissionais no atendimento a mulher, bem como a educação da sociedade a longo prazo para a mudança de pensamentos sexistas. Estas medidas, tomadas pelo Ministério da Mulher em união com o da Educação, visaria o surgimento de novos metódos de abordagem à mulheres que estão em situação de violência doméstica, evitando o seu constrangimento diante do atendimento e colocando em prática as medidas protetivas. Além disso, com o intuito de promoção de apoio a vítima, bem como informar que violência doméstica é um crime, tornam-se vitais as campanhas de conscientização através dos veículos públicos de informação tais como a internet e a televisão. Através das medidas aqui exibidas, busca-se uma sociedade mais justa e igualitária para todos.