Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 03/08/2021

Durante a pandemia, pôde-se observar um aumento considerável nos casos de violência doméstica no Brasil. Ainda é presente na nossa sociedade a cultura de que as mulheres são subordinadas aos seus companheiros, essa ideia contribui diretamente no aumento da violência feminina, ainda mais no contexto pandêmico. Outra causa, que é importante destacar, é o cansaço físico e mental que muitas mulheres sofrem por terem que se dedicar há três turnos diários (trabalho, estudos e afazeres do lar), uma maneira evidente que ajuda a intensificar os dados negativos de violência no âmbito domiciliar.

Primeiramente, a família brasileira vem sofrendo mudanças e isso está atrelado diretamente a mutação posicional da mulher nesse aspecto. Hoje elas detêm em muitos casos uma posição financeira e política, totalmente independente de seus cônjuges. Isso, nos casos de violência doméstica está atrelado à cultura do machista dos homens, que se sentem amaçados pela posição autônoma que elas conquistaram, e por esse motivo justificam suas agressões, mesmo que de maneira oculta. Fica claro quando observamos o aumento da convivência do casal durante a quarentena e com essa maior independência por parte das mulheres, que não mais querem se submeter a tais situações, acabam sendo agredidas em função disso.

Ademais, é importante salientar que em muitas situações a mulher exerce no seu dia a dia uma rotina de três turnos. Durante o dia, trabalha, a noite estuda e quando chega em casa ainda têm que se subordinar aos fazeres do lar, o que acarreta em um cansaço físico e mental das relações interpessoais do casal, levando em muitas vezes a discussões e briga nos relacionamentos. Levando em muitos casos a violência praticada pelos seus companheiros.

Portanto, vale destacar que a lei abarca diversas situações de violência doméstica, mas o que deve ser melhorado, por exemplo, é a fiscalização e buscar uma maior conscientização para que não haja tantas subnotificações. Outra proposta viável, é que durante o atendimento dessas vítimas, essas sejam atendidas por uma agente mulher, que evidentemente poderá entender melhor que a figura masculina o quê ela estará passando, assim a mesma sentira-se mais confortável e acolhida na hora de prestar todos os detalhes acerca do ocorrido e contribuirá ainda mais para o trabalho da polícia no caso concreto.