Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 18/08/2021

Em 2021, a influenciadora Pamela Holanda compartilhou em suas redes sociais vídeos das agressões que sofria de seu ex marido. Esse cenário exposto por Pamela infelizmente é uma realidade para muitas brasileiras que durante a quarentena sofrem com o aumento da violência doméstica. Por isso, é essencial analisar, como principais problemas desse tema, a falta de autonomia financeira da mulher e os impactos dessa violência no seio familiar.

Em princípio, a desigualdade de gênero no âmbito trabalhista restringe a autonomia financeira da vítima. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2019, cerca de 54% da mulheres acima de 15 anos trabalhavam, enquanto, entre os homens essa faixa era de 74%. Nessa ótica, nota-se que a visão patriarcal é a principal causa dessa disparidade, pois ela unilateriza as responsabilidades dos afazeres domésticos na figura feminina, um exemplo disso é a discrepância existente entre a licença maternidade e paternidade. Nessa perspectiva, e aliado ao atual panorama pandêmico que favoreceu o aumento do desemprego no país, a mulher encontra muita dificuldade para conseguir um trabalho. Desse modo, em um cenário de violência matrimonial, o agressor torna-se o provedor do lar e a vítima, por dependência financeira, não denuncia as agressões.

Ademais, a violência doméstica pode prejudicar o desenvolvimento emocional do infante. A esse respeito, o psicanalista Sigmund Freud afirma que toda influência que uma criança recebe pode ter reflexos ao longo de sua vida. Sob essa análise, por exemplo, um infanto-juvenil que presencia ou sofre as agressões tem grandes chances de internalizar comportamentos nocivos ligados a esse lar conflituoso, como a agressividade, e refleti-los em sua fase adulta. Logo, os impactos dessa violência não recaem somente nas mulheres, mas também nas crianças.

Dessa maneira, conclui-se que é imprescindível combater a violência doméstica no Brasil. A fim disso, é necessário que o Ministério do Trabalho, junto ao governo, crie um projeto legislativo que favoreça a equidade de gênero no mercado de trabalho. Isso deve ser feito por meio de leis que desconstruíssem a visão patriarcalista da função social feminina, um exemplo disso seria a adoção de uma lei que igualasse as licenças dos cônjuges após o nascimento do filho. Com isso, os trabalhadores, independente do sexo, seriam vistos como iguais, isso é, teriam os mesmos direitos. Além disso, é importante um amplo apoio psicológico às vítimas, independentemente da idade, para remediar os danos causados por essa violência. Posto isso, espera-se que as mulheres, agora com autonomia financeira, tenham possibilidade de denunciar seus agressores, e que elas, assim como as crianças vítimas desse problema, tenham uma chance de recomeçar.