Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 06/08/2021

“A humanidade é masculina, e o homem define uma mulher não em si, mas relativamente a ele; ela não é considerada um ser autônomo. ” A frase taciturna da escritora Simone de Beauvoir, no livro “O segundo sexo”, infere sobre a dominação patriarcal. Não obstante a discussão a respeito dessa dominação se estende até os dias atuais, em uma ótica de casos crescentes de violência doméstica, seja esta física, psicológica ou moral.

Em primeiro plano, uma escalada no número de registros de violência contra a mulher, durante a quarentena, mostra a perpetuação de uma cultura opressiva sobre as mulheres. Haja vista a pesquisa do Instituto Datafolha, que revela como em comparação com os dados da pesquisa de 2019, em 2020 houve um aumento de agressões dentro de casa, agressões vindas de conjugês, pais, irmãos e em casos de mulheres acima de 50 anos, por exemplo, têm-se a participação de filhos. Sendo assim, a violência doméstica é uma cruel realidade cultural que se estende nas mais diferentes relações que as mulheres possuem.

Além disso, a violência doméstica muitas vezes é invisibilizada quando se trata de violência moral ( caluniar e difamar) ou psicológica (humilhar, isolar e insultar), que são tão traumatizantes quanto a violência física (empurrar, chutar e bater). Partindo dessa assertiva, temos exemplos na literatura brasileira, como é o caso de Madalena, na obra “São Bernardo” do autor Graciliano Ramos, que ao vivenciar um relacionamento abusivo com Paulo Honório, que a insultuva e a inferiorizava em público diante de crises de ciúme doentio acaba levando Madalena a se isolar e posteriormente a personagem comete suícidio. Sendo vítima de uma degradação pessoal decorrente da violência moral e psicológica que sofria. Portanto, é fundamental identificar as diferentes nuances de como pode se apresentar a violência doméstica para assim poder denunciar e apoiar as mulheres que são vítimas.

Destarte, o governo poderia melhorar políticas de solução aos abusos domésticos, por meio da criação e ampliação dos projetos que incentivam as mulheres a denunciar, fornecendo uma rede de apoio no SUS ou em ONGs cadastradas que ofertassem gratuitamente ajuda psicológica com profissionais da saúde - uma vez que as mulheres se sentiriam amparadas e seguras para procurar ajuda especializada - a fim de que as mulheres tivessem todo suporte psicológico necessário para denunciarem os agressores. Assim, contribui-se para o empoderamento feminino fornecendo suporte as mulheres vitímas de violência doméstica e gradativamente enfraquece-se a dominação patriarcal na cultura brasileira.