Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 21/08/2021

Segundo o podcast “Café da manhã”, uma parceria da Folha de São Paulo com o Spotify, em Ruanda foi criada um escola de educação doméstica, em que os homens praticam atividades, historicamente designadas a mulheres, com intuito da percepção de quão ardo é quando uma mulher realiza todos os afazeres domésticos sozinha. Dessa maneira, os casos de violência em residência no país diminuiram cerca de 2/3 em comparação a quando não havia a introdução desse ensino. Nessa atmosfera, o tema do podcast abre margem para uma discussão importante no Brasil: o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena. Dessa forma, pode-se afirmar que a falha educacional e o isolamento social agravam o entrave em questão.

Em primeira instância, é relevante abordar a negligência educacional em relação a violêcia contra o gênero feminino. De acordo com Paulo Freire, se o poder da educação não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade irá mudar. De fato, o que disse o educador pode ser visto na realidade quando, há um déficit na educação em relação a esse conteúdo, ou seja, no momento em que as instituições escolares não requerem esse conhecimento desde a base escolar, consequentemente, levando as crianças, principalmente, meninos a acreditarem que, muitas vezes, os atos de violência vivenciados em casa e aprendidos na infância, é a forma correta de se tratar uma mulher.

Ademais, vale destacar que o afastamento social, advindo do Covid-19, tem um papel fundamental na exacerbação desse quesito. Consoante o Jornal da Globo (G1), o Dj Ívis em 2021, durante a pandemia, cometeu um ato de violêcia doméstica contra sua esposa, não só o ato físico, como psicológico, patrimonial e moral. Efetivamente, esse retrato social é visto com frequência durante a quarentena, pois o maior contato da vítima com os seus familiares, o aumento das tarefas domésticas, a atenção elevada aos filhos longe das atividades escolares, desemprego, aumento do consumo de bebidas, por consequência vem refletindo em atos negativos em relação ao mundo feminino. Dito isso, esse momento de distanciamento social acaba fomentando para ampliação desses acontecimentos.

Ante o exposto, portanto, é relevante debater sobre a elevação dos episódios de atos violentos nas moradias durante o retiramento social. Sendo assim, é necessário que o governo, em parceria com o Ministério da Educação, crie estratégias para introduzir esse assunto em discussão no âmbito escolar, por meio de atividades em família, para que não só os jovens, mas seus reponsáveis aprendam a necessidade de se respeitar as mulheres e como a prática de algo tão hostíl poderá influenciar na formação de seus descendentes. Essas atividades devem ser feitas mensalmente, com assistência de psicólogos, a fim do conhecimento ajudar a transformar a sociedade, como preconizou Paulo freire.