Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 12/08/2021

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, do clássico livro “O triste fim do Policarpo Quaresma”, sempre teve como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, a violência doméstica durante o período da quarentena torna o país ainda mais distante do imaginado pelo sonhador personagem. Esse cenário antagônico é fruto tanto da dependência econômica, quanto do isolamento social. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a violência doméstica deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Assim sendo, devido à falta de atuação das autoridades, o aumento da taxa de desemprego das vítimas durante a quarentena tem como consequência a necessidade de subordinação ao seu agressor. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar o isolamento social como promotor do problema. De acordo com o levantamento de dados do Datafolha, durante a pandemia cerca de 1 a cada 4 mulheres sofreu algum tipo de violência doméstica. Partindo desse pressuposto, além da violência doméstica outros diversos tipo foram destacadas durante esse período, tais como: intrafamiliar, física, verbal, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que o isolamento social contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Mulher, através de uma reunião possa criar uma rede de apoio as vítimas da violência doméstica a fim de que integre a vítima ao mercado de trabalho, fornecendo todo o suporte psicólogico e econômico para que a mulher tenha uma garantia de oportunidades para se desprender de seu agressor. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da violência doméstica, a coletividade alcançará o bem-estar da população, tal como afirma Thomas Hobbes.