Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 02/09/2021

A pandemia do coronavírus atingiu vários aspectos do convívio social brasileiro ao implantar um sistema de quarentena no país: uma das principais consequências foi o aumento de casos de violência doméstica no período. De fato, um dos fatores contribuintes para tal acrésimo consiste no impacto da pandemia na saúde mental dos brasileiros. Além disso, a falta de conscientização e apoio às vítimas favorece a manutenção na alta de dados tão brutais.

A princípio, é preciso analisar o impacto da pandemia na psique dos brasileiros: de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), apenas em São Paulo houve um aumento de 44,9% no atendimento de vítimas da violência doméstica. Indubitavelmente, tal número é um reflexo direto da consequência da quarentena na estabilidade mental da população: as adversidades decorrentes do período, como mortes de entes queridos, desemprego.., influenciam no psicológico dos cidadãos, ao estimular a presença de sentimentos como angústia, incerteza e tristeza. Desse modo, os brasileiros tornam-se mais propensos à discussões domésticas, que frequentemente escalam para a violência.

Ademais, cabe averiguar o precário acesso à informações sobre a temática e amparo às vítimas: a Lei Maria da Penha, responsável pela punição de atos de violência contra a mulher, só entrou em vigor em 2006. Isso demonstra o descaso governamental para com as vítimas da violência doméstica que, por fatores como falta de divulgação de meios para denúncia, ameaças do agressor e auxílio escasso por parte dos órgãos responsáveis, sentem-se intimadas à permanecer em relacionamentos abusivos por não acreditarem que possam ser ajudadas. Desse modo, muitas vítimas acabam presas em um ciclo de abuso, e continuam adicionando às brutais estatísticas da temática.

Em síntese, é possível dizer que é necessário tomar medidas para a diminuição dos números da violência doméstica, sobretudo no período da quarentena. Cabe ao Ministério da Saúde, através de consultas gratuitas, palestras e rodas de conversa com especialistas, disponibilizar o auxílio e tempo de profissionais médicos do ramo da saúde mental para engajar em conversas com pessoas afetadas psicologicamente pela pandemia, almejando uma melhora na saúde mental da população. Não obstante, é papel do Ministério das Comunicações estabelecer uma demanda para a transmissão de telefones, portais online e delegacias nos comerciais das grades televisivas, buscando conscientizar a população e informar as vítimas sobre os veículos de denúncia.