Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 03/09/2021

A Lei Maria da Penha - sancionada em 2006 - foi criada com o intuito de proteger mulheres vítimas da violência doméstica no Brasil. Entretanto, ainda que já exista essa forma de amparo, o problema é persistente e se agravou drasticamente no atual cenário da pandemia. Isso ocorre em consequência da mentalidade machista que ainda permeia os brasileiros, assim como o maior contato dessas mulheres com seus parceiros e a dificuldade de denunciar seu agressor na fase de isolamento. Esse aumento na casuística da violência doméstica revela a fragilidade da lei ea necessidade de medidas complementares para combater esse problema.      Em primeiro lugar, vale salientar que o Brasil é um país historicamente patriarcal, onde as mulheres sempre foram oprimidas e violentadas. Nesse contexto, a obra “Gabriela”, da década de 50 – do autor Jorge Amado – evidencia essa realidade ao narrar a história de um coronel que agredia sua esposa e termina por assassiná-la. Hoje, apesar do “empoderamento” feminino, das diversas igualdades de gêneros já cistadas e da Lei Maria da Penha sancionada, muitas delas ainda sofrem agressões verbais, físicas e psicológicas por parte de seus cônjugues. Assim, a pandemia e a necessidade de quarentena apenas trouxe à tona o machismo ainda incrustado no perfil de muitos brasileiros.                                                              Em segundo lugar, outra situação que agravou a violência doméstica durante o isolamento social é o fato de um maior convívio dessas mulheres com os seus “algozes”, o que pode ter potencializado sentimentos e aflorado problemas pré-existentes no leito familiar. Além disso, o distanciamento social contribui com a dificuldade da vítima pedir ajuda, visto que, muitas delas não têm como se desvincilhar de seus agressores ou têm medo das consequências, optando então pelo silêncio. Em conformidade com o pensamento do filósofo Nick Couldry, um indivíduo sem voz pode se tornar invisível na sociedade. Portanto, é indispensável formas alternativas e práticas de fazer denuncias para incentivar esse ato, como por exemplo, o disque 180, aonde as vítimas pode pedir ajuda.                      ajuda diretamente pelo telefone