Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 27/09/2021
Segundo a Delegacia de Defesa da Mulher, durante a pandemia, o problema da violência doméstica contra a mulher, ultrapassou 50,98% em 2021, em comparação com o ano passado. É fato que o isolamento intensificou o contato entre os membros da família e que se tornou uma armadilha para mulheres, mas a violência em si, foi construída através dos tempos , com a desigualdade entre homens e mulheres. Hoje, muitos avanços existem perante a lei, mas a impunidade leva ao medo da denúncia.
Em primeira análise , cabe salientar que desde os primórdios, viveu-se em uma sociedade patriarcal, na qual a mulher deveria ser submissa ao homem, tratada com desigualdade e não valorizada como uma pessoa de direitos , mas como um objeto usado por eles . Ainda hoje essa ideia se perpetuou em muitas famílias, fazendo com que homens se considerem superiores às suas mulheres e, aproveitando o momento de confinamento, para executarem “sua superioridade”, inferiorizando, estuprando, agredindo verbal e fisicamente suas companheiras, parceiras, filhas, esposas.
Apesar da cultura enraizada na sociedade antiga, hoje existe a Lei Maria da Penha, uma das maiores conquistas populares na luta pelos direitos da mulher. Entretanto, o surgimento de uma legislação não garantiu mais autonomia e segurança à mulher, que ainda tem receio de denunciar o responsável pela agressão, ou por vergonha ou por medo. E não se pode descartar o fator financeiro, pois em muitos casos, o agressor faz o sustento da família e , por muitas vezes , sofrer violência se torna uma agressão secundária comparada a colocação de alimentos na mesa para os filhos.
Diante dos fatos supracitados, torna-se evidente que as mulheres devem ser protegidas contra qualquer tipo de violência. Para isso, é necessário que o Estado promova campanhas incentivadoras e crie canais próprios para que a população denuncie qualquer sinal de violência . Além disso, deve impor punições mais severas para os agressores que descumpram leis. Por fim, deve proteger e amparar as mulheres que sofreram qualquer tipo de abuso, proporcionando-lhes redes de apoio, moradias temporárias e acolhimento. Assim, talvez se consiga uma sociedade igualitária, sem distinção para ambos os gêneros.