Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 02/11/2021
O filme brasileiro “Vidas Partidas”, de Marcos Schechtman, retrata a história de um casal apaixonado que, aos poucos, convive com o drama da violência doméstica. Analogamente, está a realidade de muitas mulheres, que vivem em situações de violência dentro de suas casas e se veem em risco constante, fato que muitas vezes é negligenciado pelos órgãos públicos. Nessa perspectiva, observa-se um delicado problema, que tem como causas o agravamento da insegurança da mulher em decorrência da pandemia do coronavírus e a displicência dos órgãos públicos diante dessa problemática.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que, apesar do espaço crescente na sociedade que as mulheres vêm conquistando e das leis de apoio às vítimas de abusos, muitas delas ainda convivem com agressões físicas, psicológicas e verbais. Ademais, em muitos casos, a violência vem acompanhada de chantagens que amedrontam a vítima a denunciar o crime. No entanto, de acordo com a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, o número de denúncias registradas por meio do Ligue 180 aumentaram 36% na quarentena, se comparado a abril de 2019.
Outrossim, o maior contato das mulheres com seus cônjuges durante a pandemia da Covid-19 e a impossibilidade de recorrer ao apoio de amigos e familiares, transformou suas rotinas em cenários de ameaças. Dessa forma, torna-se explícita a falha na aplicabilidade e a dúvida quanto a efetividade das leis já existentes. Também é válido salientar que, de acordo com a Lei Maria da Penha, é dever dos órgãos públicos garantir a segurança das mulheres no âmbito das relações domésticas. Entretanto, tal papel não está sendo realizado, sendo notório que muitas mulheres seguem sendo violadas por seus parceiros.
Em conclusão, é inegável que mudanças ocorram para que as mulheres consigam viver em segurança. Por isso, cabe aos órgãos públicos criar meios alternativos para a denúncia de violência doméstica e divulga-los por meio de propagandas e redes sociais, para que as vítimas consigam receber a ajuda necessária mesmo durante uma pandemia. Desse modo, o país poderá visualizar uma realidade diferente da retratada no filme de Marcos Schechtman