Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 09/09/2021
Na série “the society”, pertencente ao catálogo da Netflix, 200 jovens precisam reestruturar a sociedade em que vivem após serem surpreendidos com o desaparecimento dos adultos e instituições governamentais. Nesse contexto, a protagonista Elle torna-se vítima de um relacionamento nocivo com Campbell e, em razão do medo e isolamento, se vê impossibilitada de livrar-se das agressões físicas e psicológicas. Fora da ficção, essa é a realidade de muitas mulheres que tornaram-se vítimas da violência doméstica durante a quarentena. Sob tal ótica, evidencia-se a necessidade de analisar a problemática, que continua agravando-se em virtude de um legado histórico excludente e da dificuldade de acesso aos canais de denúncia.
Em primeiro plano, é preciso pontuar que as concepções patriarcalistas desenvolvidas durante a história da humanidade ainda são veementes nos dias atuais e caracterizam-se como um grave impasse. Sob esse viés, Martin Luther King, ativista pela igualdade social, defende que a injustiça num lugar qualquer é uma ameça à justiça em todo lugar. Dessa maneira, as mulheres são acometidas pelo receio de denunciar as agressões, pois temem que o resultado seja a impunidade sobre os homens - como visto em muitos momentos da história em que a figura feminina teve sua voz, poder e direitos negligenciados. Hodiernamente, isso se evidencia na falta de agilidade dos processos de denúncia, bem como no fato de que a representatividade e poder feminino ainda não são valorizados como deveriam.
Outrossim, convém ressaltar que a pouca amplitude e reconhecimento dos meios de denúncia durante a quarentena, também configura-se como um empecilho para a resolução do problema. Segundo dados da Polícia Militar de São Paulo, houve um aumento de 44,9% de atendimentos no estado. Entretanto, essa porcentagem ainda representa uma minoria da quantidade de vítimas, visto que grande parte se silencia devido ao isolamento social e maior dificuldade de acesso aos meios de denúncia. Ademais, a desinformação da sociedade em relação aos possíveis sinais de violência agrava a situação, pois mesmo que a vítima manifeste um pedido de ajuda, não será atendida. Desse modo, a desinformação torna-se o estopim para a banalização de tais atitudes.
Portanto, dado o exposto, torna-se imperativo a adoção de medidas que alterem esse cenário lamentável. Logo, cabe ao Estado desenvolver projetos que visem a propor a ampliação de leis que de fato apoiem as mulheres e garantam maior agilidade no processo de penalização do agressor. Além disso, ONGs que apoiem a causa feminina podem promover campanhas de conscientização da sociedade acerca da gravidade do problema e dos sinais que as vítimas de violência doméstica podem utilizar como pedido de ajuda. Só assim as mulheres de fato terão seus direitos e dignidade garantidos.