Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 20/09/2021

Na obra “Os Sete Maridos de Evelyn Hugo”, de Taylor Jenkins, a famosa atriz Evelyn Hugo, ao se casar e viver diariamente com o marido, passa a sofrer violações físicas e morais. Fora da ficção, a narrativa apresentada pode ser relacionada ao atual cenário, visto que o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena é um problema que persiste na sociedade. Essa questão ocorre, principalmente, devido à negligência governamental e à mentalidade machista.

Primordialmente, a negligência governamental está entre as raízes do problema. Nesse sentido, a Constituição de 1988 assegura criar mecanismos que protejam as mulheres contra qualquer tipo de abuso. Contudo, a ineficiência dos canais de denúncia durante o isolamento social e a escassa quantidade de locais de amparo para as vítimas são fatores que impedem que a cidadania seja gozada por todos. Por conseguinte, sem o cumprimento legislativo, muitas mulheres deixam de realizar denúncias ao decorrer do distanciamento social e sofrem em silêncio.

Outrossim, é indubitável que a mentalidade machista contribui para o entrave. Nesse viés, ao decorrer da construção social na Grécia Antiga, o público feminino era impedido de votar, pois acreditavam que as mulheres deviam ser subordinadas aos homens. Na contemporaneidade, tal bárbarie não ocorre mais, porém as marcas do pensamento machista ainda permanecem. Dessa forma, a continuidade da opressão feminina alarma os casos de agressões e o lamentável panorama visto em “Os Sete Maridos de Evelyn Hugo” se torna frequente na pandemia.

Portanto, ações são essenciais para reverter o quadro atual. Sendo assim, urge que o Ministério da Cidadania relate a necessidade de uma maior atuação estatal contra a violência doméstica durante a quarentena, por intermédio de um projeto de lei a ser entregue à Câmara dos Deputados. Nele, deve constar a importância de canais de denúncias eficientes e de campanhas que auxiliem no fim da ideia machista. Desse modo, espera-se que o cenário ilustrado por Taylor Jenkins chegue ao fim.