Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 20/09/2021
Durante o governo de Getúlio Vargas, foi aprovado o voto feminino, representando um avanço na busca por igualdade. Contudo, nos dias hodiernos mulheres ainda são vítimas de discriminação e violência. Tal situação foi agravada pelo isolamento decorrente da pandemia de Covid-19, em 2020, tendo em vista a falta de sensibilidade da população, bem como a banalização de certas agressões. Dessa forma, é preciso analisar esses fatores, visando uma intervenção.
Convém ressaltar, a princípio, que apesar da gravidade do óbice, pouco é discutido. Esse fenômeno foi explicado pelo filósofo polonês Zygmunt Bauman, em seu conceito de “Cegueira Moral”, no qual explica a perda de sensibilidade na sociedade moderna. Sendo assim, o problema não é propriamente discutido, ou até mesmo denunciado, perpetuando-se. Logo, evidencia-se a importância de alertar a população para sua existência, estimulando a compaixão.
Nesse viés, nota-se a normalização de atitudes abusivas. Isso foi explicado pela filósofa alemã Hannah Arendt, em seu conteito de “Banalidade do Mal”, no qual afirma que atos hediondos podem se tornar corriqueiros. Sob essa ótica, pequenas agressividades, psicológicas ou físicas, são normalizadas pela sociedade, servindo como porta de entrada para violências mais graves no stress gerado pela pandemia. Dessa maneira, é preciso mudar essa mentalidade.
Portanto, fica nítida a necessidade de intervenção. Para tanto, é dever da Mídia, utilizando seus canais de comunicação, mudar a mentalidade da população, por meio de programas semanais, nos quais seriam explicitados os danos desses tipos de violência às vítimas, além de formas de reconhecer tais abusos e como denunciá-los propriamente, a fim de impedir o agravamento das agressões e a aceitação desse tipo de comportamento no ambiente social. Com essas e outras medidas, espera-se que as mulheres conquistem o direito básico de estarem seguras em suas casas, assim como conquistaram o direito básico de votar.