Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 28/09/2021

O filme curta-metragem “Lockdown” mostra a história de 4 mulheres que, com a chegada da pandemia, ficam mais expostas aos perigos de uma relação abusiva, especificando a violência doméstica. Não distante da ficção, nos dias atuais, os casos de violência doméstica durante a quarentena da doença COVID-19 têm aumentado significativamente. Isso ocorre, sobretudo, devido as restrições acerca das saídas de casa, como também as instabilidades psicológicas promovidas pelo isolamento. Desse modo, é evidente que medidas precisam ser tomadas, a fim de amenizar as consequências da problemática.

Vale destacar, a priori, que as recomendações sugeridas desde o início da pandemia foram que os indivíduos ficassem em casa, se possível, e evitassem quaisquer tipos de contato com pessoas de fora de sua residência. Consequentemente, famílias foram forçadas a ficar juntas e fortalecer seus laços; ou abrir mais espaço para conflitos, os quais nem sempre obtiveram finais felizes. Nessa lógica, é relevante apresentar os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que asseguram que a cada seis horas e meia, um caso de feminicídio é registrado no Brasil. Além disso, a presença dos parceiros no mesmo ambiente dificulta a realização de denúncias, o que limita ainda mais as ações da vítima. Assim, é indiscutível que isolamento influenciou diretamente na alta da taxa de violência doméstica.

Ademais, cabe ressaltar que a pandemia foi responsável, também, por um aumento no número de indivíduos psicologicamente perturbados, tanto com doenças leves, quanto com problemas mais sérios. Sob essa ótica, de acordo com pesquisas do instituto Ipsos, mais da metade dos brasileiros entrevistados afirmam uma piora na saúde mental, em doenças como: ansiedade, depressão ou insônia. Nesse sentido, é inegável que os indivíduos ficam mais sensíveis e/ou propensos a praticar atitudes extremas em momentos estressantes, o que poderia levar à violência. Concomitantemente, com a piora no quadro psicológico, houve um crescimento no consumo de álcool durante a quarentena, o qual, dependendo da quantidade ingerida e da situação do consumidor, pode propiciar a agressão e, então, colaborar com o acréscimo dos casos de abusos nas residências.

Portanto, é imprescindível que ações ocorram para que uma melhora seja visível. Logo, a mídia - como principal difusora de informações - deve, através da inserção de propagandas e/ou pequenos programas televisivos ou de rádio, divulgar meios acessíveis de denúncia para as vítimas, tal como salientar a importância do cuidado com a saúde mental, do mesmo modo, com o intuito de alcançar um maior número de possíveis vítimas e garantir que estejam bem instruídas caso deparem-se com essa situação, além de minimizar a violência decorrente de patologias mentais.