Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 22/09/2021

A obra “Utopia”, do inglês Thomas Morus, retrata uma conjuntura social ideal, perfeita e desprovida de conflitos. Evidentemente, esse contexto fictício se distancia da realidade brasileira, pois o aumento de casos de violência doméstica, intensificados pela quarentena, afetam negativamente a sociedade, assim, precisam ser debatidos. Sob esse prisma, é indubitável que esses empecilhos são fomentados tanto pela negligência estatal, como também pela base educacional lacunar.

Nesse viés, é importante destacar como o descaso governamental atua como causa do problema. Consoante a isso, o jornalista Gilberto Dimenstein, em seu livro “O cidadão de papel”, explica que as leis constitucionais residem tão somente na teoria, ou seja, não ocorrem na prática. Nessa perspectiva, o Estado não provê o direito à segurança, garantida na Constituição pelo artigo 6º, para os cidadãos, principalmente a mulheres que sofrem violência física e psicológica, devido à falta de fiscalização e investimentos do Governo. Dessa maneira, é crucial reconhecer as falhas nesse sistema e reverter a situação.

Outrossim, é válido salientar que a lacuna na base educacional se caracteriza como um complexo dificultador. Desse modo, segundo o filósofo prussiano Immanuel Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele, assim sendo, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. No que tange à violência doméstica, geralmente os homens e mulheres que passam por essa situação não são devidamente educados sobre seus direitos, formas de denúncia, e constantemente, tem medo de relatar a polícia e não serem devidamente protegidos contra seus agressores. Logo, a consciência sobre o assunto é de extrema importância.

Em face dos argumentos supracitados, para atenuar os impasses gerados pela problemática, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com a mídia, invista em campanhas e programas de ensino, no meio social e televisivo, por meio de verbas públicas, a fim de conscientizar a população sobre tipos de violência e formas de denunciar casos de agressão para as autoridades. Portanto, com essas e outras medidas, será possível minimizar os óbices ligados à violência doméstica na quarentena.