Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 25/09/2021

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena na sociedade brasileira, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela violência física, psicológica ou verbal.

É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a violência em geral rompe essa harmonia, haja vista que em qualquer lugar ou circunstâncias habita o enraivecimento descontrolado.

Outrossim, de acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Todavia, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), “o isolamento social intensifica a convivência entre os familiares, o que pode aumentar as tensões, além do consumo excessivo de álcool nesse período, colabora para as discussões entre casais que podem desencadear diversas formas de agressão”. Contudo, muitas mulheres ainda não tem a possibilidade de denúnciar seu agressor.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de um mundo melhor. Destarte, a mídia deve expor essas adversidades preferentemente. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, O Ministério da Educação (MEC) deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por psicólogos, que discutam o combate a violência a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.