Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 23/09/2021
A obra literária de Colleen Hoover, “É assim que acaba”, retrata a rotina de Lily, uma mulher que presenciou durante a sua infância o pai agredir constantemente a mãe e, na vida adulta, se encontra em um relacionamento abusivo. Caracterizada por agressões físicas e/ou psicológicas, a violência doméstica tem se tornado cada vez mais presente na sociedade brasileira, já que se encontra sobrecarregada pela pandemia do coronavírus. Apesar da relevância do tema, a manipulação voltada às vítimas e o isolamento social contribuem para o agravamento do problema; necessitando, assim, de uma medida para solucionar o transtorno.
Preliminarmente, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), apenas 35% das pessoas com depressão (aproximadamente) procuram ajuda profissional. Concomitantemente, a mesma situação ocorre com a parcela de brasileiros que sofrem com a violência doméstica. Influenciados pelo medo, pressão e manipulação dos agressores, são convencidos a não procurar ajuda. Tal fato pode ser comprovado pelo caso de Tatiane Spitzner, advogada que foi assassinada pelo marido - Luis Felipe Manvailer - em 2018 e que sofreu várias agressões antes do óbito, sendo coagida e controlada pelo marido. Assim sendo, uma resolução deve ser tomada.
Posteriormente, vale ressaltar que a maior parte das vítimas de abusos domésticos são mulheres e crianças. Segundo dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), o número de casos subiu cerca de 17% durante a quarentena, sendo assim, é notório que o isolamento social tem impacto direto na rotina de famílias. Somando-se a isso, o machismo persistente na sociedade também tem sua parcela de culpa, visto que vários casos estão conectados ao feminicídio, assim como o caso de Tatiane, que mesmo no julgamento do marido foi vítima de machismo, sendo apontada como culpada de sua própria morte por ser “desequilibrada e invasiva”. Dessa maneira, fica evidente que um recurso deve ser tomado.
Nesse sentido, para elucidar a problematização, é vital criar diretrizes capazes de informar e influenciar o público a procurar ajuda. Agregando-se a isso, é responsabilidade do MMFDH, por meio das redes televisivas (como a rede Globo), introduzir nos programas audiovisuais e telecomunicativos dados, meios de prevenção e informações acerca da violência doméstica; a fim de auxiliar a identificação e a denúncia de casos ilícitos. Evitando, assim, episódios como o de Lily e Tatiane Spitzner.