Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 28/09/2021
Durante a pandemia da Covid-19, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou que a população permanecesse em casa afim de atenuar a disseminação do vírus. Nesse contexto, a exigência da quarentena corroborou com o aumento da violência doméstica, colocando, principalmente, muitas mulheres em risco. Esse fato deve-se, sobretudo, à conjuntura machista e violenta em que a sociedade está inserida, cuja potencialização deu-se a partir da maior convivência durante o isolamento. Como efeito, houve a ratificação da necessidade de debate acerca da violência doméstica.
Em primeiro lugar, cabe salientar a influência do ambiente sexista em que a sociedade contemporânea está inserida no aumento dos casos da violência doméstica durante a quarentena. A pensadora Bell Hooks expõe em sua obra “O feminismo é para todo mundo” o conceito de violência patriarcal no âmbito doméstico. Conseguinte essa ideia, essa face de violência, guiada pelo patriarcalismo, domina o pensamento atual e consiste na crença de um indivíduo mais poderoso que outro usar a força coercitiva para fins de dominação física, psicológica e sexual. Sob esse viés, pode-se inferir que este conceito já existente e preponderante em sociedade teve suporte durante o isolamento social, visto que a fiscalização acerca da violência dentro das casas é menor. Assim, fica clara a atuação da ideologia sexista no contexto pandêmico para o aumento da violência doméstica.
Como consequência, torna-se evidente a necessidade do debate acerca da violência doméstica visando atenuar esse processo. Na série “O conto da Aia”, é retratado um cenário distópico onde, violentadas de diversas maneiras, as aias, que são servas sexuais dos homens ricos, nunca denunciam as agressões sofridas porque têm certeza de que a lei predominante, a qual é reflexo do sexismo, não as ampara e privilegia seus agressores. De maneira análoga à ficção, o cenário atual não conta com políticas que favoreçam a contenção da violência doméstica, deixando suas principais vítimas, as mulheres, desamparadas. Assim, é de suma importância que medidas sejam tomadas e que a discussão da violência doméstica seja posta em voga para sua, então, diminuição.
Por fim, cabe reiterar que a quarentena colaborou no aumento da violência doméstica e, por isso, é necessário que ações para amenizar essa conjuntura sejam tomadas. Para tanto, é primordial a atuação do Governo Federal, em conjunto com a mídia, na disseminação e aplicação de políticas de segurança e acolhimento que incentivem a denúncia das vítimas de violência doméstica. Essa medida tem por objetivo o amparo, por profissionais qualificados, às pessoas agredidas, colocando os relatos da vítima em destaque. Além disso, é providencial que, em integração ao acolhimento psicológico, seja fornecida infraestrutura em formato de delegacias da mulher para que as denúncias ocorram.